Antônio Carlos Lopes
Colocados no mercado brasileiro desde 1988, os medicamentos para disfunção erétil, ou impotência, abriram novos horizontes para os homens. Rapidamente, passaram a figurar entre os campeões de venda do País, fazendo do Brasil o segundo maior mercado mundial de disfunção erétil, atrás apenas dos Estados Unidos.
O problema é que muitos desses consumidores ignoram o fato de que este, assim como quaisquer remédios, têm indicações e contra-indicações. Nem todo mundo precisa ou pode tomá-los, mas apenas aqueles que consultaram um médico que, após avaliação, receitou-o com instruções de quando tomar e com a dosagem indicada.
Voltada apenas às pessoas que têm problemas de ereção, essa classe de remédios surgiu visando a um público exclusivamente masculino, com idade superior a 40 anos, que é a fase em que tais problemas começam a aparecer com maior freqüência. Hoje em dia, no entanto, cresce, inclusive entre os jovens, o chamado ?consumo recreativo?. Até mesmo as mulheres têm se aventurado em busca de melhora no desempenho sexual, sem levar em conta os riscos, especialmente quando o consumo torna-se recorrente.
No Brasil, tal prática é facilitada pela falta de rigor nas farmácias. Assim como grande parte dos remédios, esses também são comercializados sem a exigência de retenção, nem mesmo apresentação de receita médica. Realidade esta bastante diferente daquela vivida em países como Estados Unidos, Canadá, França ou Portugal, nos quais é obrigatória, no ato da compra, a apresentação da receita do médico.
Tadalafila, sildenafila ou vardenafila são indicadas para homens que apresentam dificuldade para obter ou manter a ereção. Seus efeitos não têm qualquer relação com a sensação ou intensidade do prazer, ao contrário do que pensam muitos dos consumidores esporádicos. Para eles, o medicamento não surte qualquer efeito no desempenho nem oferece qualquer benefício. Além disso, para que o medicamento funcione, é fundamental que o homem tenha o desejo sexual. Caso não tenha vontade de ter relação, o medicamento não funcionará.
Por outro lado, o uso de quaisquer medicamentos sem indicação médica é um risco à saúde. Neste caso, uma das contra-indicações mais importantes é a utilização por pacientes com problemas cardíacos, que fazem uso de medicamentos à base de nitrato, já que os mesmos dilatam as artérias assim como remédios para disfunção sexual.
Antônio Carlos Lopes é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.