Apesar de ter sido eleito deputado federal, Paulo Bernardo nunca teve no Paraná o reconhecimento que teve em outros estados. Foi secretário municipal e estadual em vários cantos do País, sempre cuidando dos orçamentos. Chegou ao auge de sua carreira política com a nomeação para ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, e compõe a bem-sucedida equipe econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, sonha em dar um salto de retorno para seu Estado.
Depois de falar publicamente em algumas situações de coligação para a eleição de 2010, o ministro enfim admitiu que pode ser o candidato do PT ao governo do Paraná. “Eu estou disposto se for o desejo do partido. Como eu disse, vou consultar o presidente. Se ele me liberar, participo da eleição, se for o desejo do partido, posso ser candidato também. Nós temos outras possibilidades”, disse, em entrevista ao Jornal de Londrina.
Não há, dentro do Partido dos Trabalhadores, nome mais forte para disputar o governo do Estado. Paulo Bernardo é um homem de confiança do presidente Lula, tem um das “chaves do cofre”, está fazendo um bom trabalho e, diferente de alguns petistas da “corte”, transita bem com políticos de outros partidos e com o empresariado.
O ministro pode trazer para a órbita petista uma série de partidos que rondam o PT na esfera federal. Teria, portanto, tempo razoável de TV, um arco de alianças, o apoio de Lula (que pode fazer a diferença) e uma candidatura presidencial (Dilma Rousseff) de porte a secundá-lo no Estado. Em resumo, surgiria como um forte postulante ao Palácio Iguaçu.
Mas é tudo tão perfeito assim? Talvez não. Paulo Bernardo não sabe ao certo qual é o seu cacife eleitoral. E pelo menos dois possíveis adversários (o prefeito de Curitiba, Beto Richa, e o senador Osmar Dias) são reconhecidamente bons de voto. O ministro pode ser um pólo da disputa, como sua esposa Gleisi Hoffmann foi na disputa para o Senado em 2006. Mas pode ser, também, um coadjuvante de luxo, como a própria Gleisi na última eleição para a prefeitura de Curitiba.