A expansão do crédito para investimentos produtivos e consumo popular poderá diminuir, mas não vai parar em 2009, segundo avaliações da área técnica do Banco Central. O ciclo de crescimento da disponibilidade de recursos para a produção está ativo desde o lançamento do Plano Real, em 1994 e, por esse motivo essencial, não está nos planos do governo permitir que o mesmo sofra uma solução de continuidade. Ao contrário, as autoridades monetárias estão garantindo que o sistema financeiro iniciou o ano com um caixa equivalente a R$ 447,6 bilhões para dar continuidade ao fluxo de empréstimos ao setor privado.

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O total de dinheiro disponível nos bancos é maior do que o disponível em janeiro do ano passado, na época, R$ 268,1 bilhões, que foram suficientes para aumentar em 32% a expansão dos empréstimos concedidos pelas instituições de crédito. O diferencial identificado pelos técnicos com relação ao exercício recém-iniciado é que a expansão estimada ficará em 16%, bastante próxima da média anual de 16,7% apurada ao longo dos últimos anos de estabilidade monetária. A diminuição do ritmo da procura por empréstimos junto ao sistema financeiro reflete os primeiros efeitos da disseminação do temor causado pela retração do consumo em função da crise mundial.

Assim sendo, mesmo diante da provável interrupção do ciclo expansionista dos investimentos alavancado no mercado de crédito, o atual volume de recursos suportará com folga a demanda de 2009, de acordo com os cálculos efetuados pelo governo. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, uma expansão de 16% pode ser considerada satisfatória, pois mesmo antes da explosão da crise financeira global a instituição já trabalhava com a hipótese da desaceleração do crédito, como resposta natural ao ciclo de aperto monetário iniciado em abril do ano passado, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros de 11,25% para 13,75%.

Os efeitos da crise mundial logo se fizeram sentir e, nessas circunstâncias o Banco Central viu-se obrigado a permitir a retenção de considerável volume de recursos nos caixas do sistema bancário, por intermédio do corte dos depósitos compulsórios, para dar curso à finalidade específica de evitar um colapso na concessão de empréstimos diante da escassez de moeda. No entanto, os técnicos do BC ainda não conseguiram resposta para uma questão fundamental: o que farão os bancos com toda essa quantidade de dinheiro em caixa?

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Alguns analistas se arriscam a dizer que a retomada da demanda por crédito virá dentro de alguns meses ou trimestres, quando se restabelecer a confiança de investidores e consumidores. Contudo, ainda há muita dúvida sobre qual será o momento em que isso deverá ocorrer. Atento ao desenrolar da crise, não obstante, o governo dispõe da faculdade de acionar os bancos públicos para estimular a demanda de crédito em 2009, embora convicto de que isoladas as instituições estatais não terão capacidade para resolver o problema por inteiro. O exemplo invocado pelos técnicos está no sistema de financiamento direto de veículos pelas concessionárias, uma área em que o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal têm uma atuação bastante modesta.

No período de doze meses encerrado em setembro passado, o volume de financiamentos e operações de leasing de veículos cresceu 40%, representando 44% do crédito concedido a pessoas físicas no respectivo intervalo. Esse nicho do mercado garante suculento manancial para a atuação dos bancos privados e financeiras pertencentes às próprias montadoras, restringindo a participação do sistema público, que, por suas características endógenas cumpriu papel relevante na continuidade do crédito consignado. No período citado, os empréstimos consignados cresceram 25% e responderam por 17,2% dos empréstimos contratados com pessoas físicas. O discurso de Lula é incisivo: quem puder comprar que compre. Pagar é outra história.

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