De saída, qualquer iniciativa que proponha evolução no ensino básico no Brasil é louvável. Precisamos de ideias, de projetos e de novas visões sobre a educação no País, seja das autoridades públicas, seja de empresas ou mesmo de pessoas físicas. Por isso, é bom saber que o Ministério da Educação (MEC) está propondo alterações graduais no ensino médio (para os mais antigos, o segundo grau).
Alguns dos planos do ministério estão na edição de domingo de O Estado, em matéria assinada pela repórter Joyce Carvalho: “O MEC vai financiar projetos de escolas públicas que adotem, por exemplo, um currículo interdisciplinar e flexível para essa etapa de ensino. Além disso, haverá a organização dos conteúdos conforme quatro eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura. (…) Outras duas mudanças estimuladas são o aumento na carga horária mínima (de 2,4 mil para 3 mil horas anuais) e a escolha de 20% da grade curricular por parte do estudante”.
Ainda há muitas dúvidas quanto à aplicação destas ideias, mas não se pode negar que são interessantes. O MEC tem razão ao pensar em situações que “prendam” o jovem na escola, que atraiam os estudantes para as aulas. Hoje, há muita coisa que puxa os adolescentes para longe do estudo – TV, internet e telefone celular são os mais banais, mas os que mais influenciam.
Por isso, é fundamental incluir esses meios no dia-a-dia das escolas. É necessário aproximar o ensino médio do mundo que esta nova juventude vive. Seria uma espécie de “máquina do tempo”, tirando a educação formal da pré-história e trazendo-a para 2009 (ou, no caso, 2010).
Isso não poderá ser feito rapidamente. É trabalho, talvez, para uma nova geração de educadores, também formada pelos mesmos meios. Neste período, entretanto, é possível começar tal revolução, e os planos do MEC pavimentariam este caminho, principalmente com o ensino optativo. Permitir que os adolescentes escolham – em parte – o que vão estudar não é uma derrota da educação formal. É, sim, um sinal dos tempos.