A televisão alardeou nos últimos dias dois crimes que agitaram a cidade de São Paulo. No primeiro, um assaltante de carros foi detido pela nona vez em pouquíssimo tempo. O outro era o tal “golpe da marcha a ré”, que consistia na invasão de lojas e estacionamentos, usando carros em marcha-ré para derrubar as portas e facilitar as ações. Até aí, nada de mais surpreendente, pois a “indústria do crime” é cada vez mais moderna. Mas o incrível destas duas situações é que menores estavam no centro das histórias.
O assaltante de carros, do qual se divulga apenas a inicial (F.), tem doze anos. Roubou nove carros com o do final de semana. Estava com outros três menores, de 13, 16 e 17 anos. Um deles já tinha sido detido por receptação de mercadoria roubada. Mas era pouco ante o incrível “histórico” do garoto, que (é bom repetir) tem apenas doze anos. Assim noticiou O Estado de S. Paulo: “F. fora detido pela última vez em 23 de outubro deste ano, quando já tinha 12 anos, pois completara em setembro. Na ocasião, ele também estava com um veículo furtado. Outras razões de suas detenções foram furtos de automóveis, direção de veículo sem habilitação, furto e arrombamento de loja, desacato à autoridade e atentado ao pudor. A mãe dissera que estava cansada de ver o que o filho faz”.
Na gangue da marcha a ré, um dos líderes é um menor de 17 anos, que participava ativamente dos assaltos. Ele foi detido, e enquanto os seus comparsas foram para a cadeia, ele foi transferido para uma unidade da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Casa), de São Paulo.
E como agir com menores de atitudes deliberadamente agressivas? Jovens que entram em situações como as descritas não estão “de passagem” no mundo do crime. São, infelizmente, marginais precoces, que desafiam a lei e às vezes se aproveitam do fato de serem menores para evitar a prisão.
É um triste retrato da juventude brasileira. Triste e muito real, e por isso merece a análise profunda das autoridades. É preciso encontrar esses meninos antes que a bandidagem os encontre.