Duas páginas, duas matérias que se completavam. Foi o trabalho dos repórteres Elizabete Castro e Roger Pereira na edição de ontem de O Estado. Eles acompanharam a movimentação de PDT e PSDB na segunda-feira, cada partido marcando posição sobre o futuro – quer dizer, sobre a eleição para o governo do Paraná no ano que vem. E, por mais que brizolistas e tucanos neguem, os destinos dos dois partidos estão cada vez mais afastados.

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É só acompanhar as matérias. Primeiro, a sobre o encontro do PSDB: “O deputado federal Luiz Carlos Hauly disse que o partido tem apenas duas opções de candidaturas ao governo, em 2010. Ou o candidato será o senador Alvaro Dias ou o prefeito de Curitiba, Beto Richa. Quanto ao senador Osmar Dias (PDT), Hauly foi enfático: ‘O PSDB vai ter candidato próprio. Só quem não quer enxergar isso é que não vê. A base deseja isso’, declarou o deputado tucano que expôs, novamente, uma discussão que vem se dando há muito tempo no PSDB, que se reuniu ontem para conversar sobre a formação das chapas à Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. (…) O deputado federal Gustavo Fruet disse que há uma cobrança da base do partido para que o partido lance um candidato próprio ao governo, tendo em vista que Alvaro e Beto exibem expressiva viabilidade eleitoral”.

Agora, a reunião dos prefeitos do PDT: “Organizado pelo prefeito de Cascavel, Edgar Bueno, o evento, além de reafirmar a condição irreversível da pré-candidatura do senador, serviu para que a cúpula do PDT extraísse um comprometimento da base com a campanha do ano que vem. (…) Osmar Dias, que chegou no meio do encontro e permaneceu cerca de uma hora no local, explicou aos prefeitos do partido a situação atual das conversas sobre alianças. ‘Estamos conversando com todos ainda, não vou tomar decisão precipitada. Mas essa caminhada será mesmo natural e hoje, quem está conversando com a gente é o Lula, o governo federal e as lideranças do PT aqui no Paraná’, disse o senador, lembrando que teve duas ‘ótimas’ reuniões com o PT em Curitiba e em Brasília, na semana passada”.

Está claro, portanto, que os dois partidos dissociaram seus caminhos. Se ainda há o interesse em reunir todas as forças que se opõem ao governo Roberto Requião, não se vê vontade política em recuar para garantir uma grande frente de partidos – Osmar Dias espera que Beto Richa fique na prefeitura de Curitiba e Alvaro Dias não saia do Senado Federal; e Alvaro ou Beto torcem para que Osmar aceite ficar em segundo plano e tentar um terceiro mandato como senador.

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Não se vê nenhum agente político nos dois partidos que fale em renúncia coletiva, ou em prévias conjuntas, ou coisas parecidas. Sim, porque, como disse Gustavo Fruet, o PSDB tem pressão interna pelo lançamento de um candidato próprio. E certamente a situação é a mesma no PDT. Ambos os partidos estão distantes há tempos do poder central – os tucanos nunca chegaram ao Palácio Iguaçu; os pedetistas só estiveram lá no primeiro mandato do governador Jaime Lerner.

Por isso, e por terem três nomes fortes, os dois partidos não têm como fugir do destino imposto pela circunstância – correm juntos, têm no Paraná ideias muito semelhantes e, em um hipotético segundo turno em 2010, certamente estariam juntos se apenas um de seus candidatos seguir na disputa.

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Mas, do jeito que a política paranaense anda, a tendência é justamente PDT e PSDB polarizarem a campanha no ano que vem, provavelmente com Beto Richa liderando o palanque de José Serra no Estado, e Osmar Dias comandando a turma que apoiará Dilma Rousseff. E, como todos sabem, os passos até o dia da eleição contam. E definir logo quem é que vai para a luta é muito importante.