O Partido dos Trabalhadores (PT) sempre foi um partido ativo, organizado e preponderante na política brasileira. Tanto que é, talvez, a sigla que menos tenha feito coligações – e, nestas, pouquíssimas vezes foi secundária, na imensa maioria sendo cabeça de chapa. A tática deu certo, pois o político mais popular da história moderna do País é o petista Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente da República, entretanto, é o maior partidário de uma “divisão” de forças na próxima eleição. Apesar de ser o líder de uma aliança que tentará eleger a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para o Palácio do Planalto, no ano que vem, em outros estados há a real possibilidade de o PT virar apenas adereço para alguns candidatos ao governo.
É o que acontece em São Paulo, onde Ciro Gomes (PSB) pode ser o nome de Lula para o Palácio dos Bandeirantes, “atropelando” os petistas Aloísio Mercadante, Eduardo Suplicy, Antônio Palocci e Marta Suplicy.
No Paraná, não é diferente. Está na cara que Lula, e seu secretário Gilberto Carvalho, que é paranaense, escolheram o senador Osmar Dias (PDT) como candidato preferido. Na linha de frente do partido no Estado, não há muitos problemas, pois os principais nomes (Gleisi Hoffmann, Angelo Vanhoni, Tadeu Veneri, Paulo Bernardo e Jorge Samek) não estão muito interessados em uma candidatura ao governo. Outros nomes menos cotados, como os de Lygia Pupatto e Nedson Micheletti, não empolgam e não podem ser considerados.
Mas e as bases? Uma coligação com o PDT – e possivelmente com o PMDB do governador Roberto Requião, além de PP, PRB, PSB e PTB – pode diminuir o número de vagas para candidatos ao Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa. E é sabido que o PT tem nomes suficientes para encarar uma eleição proporcional sozinho, em “chapa pura”.
Este será um desafio para a cúpula do partido no Estado. E que só será encarado quando se definir o cenário da eleição para governador. Enquanto isso, o PT marca passo e cria, sozinho, situações que podem prejudicá-lo em 2010.