A economia brasileira continua emitindo sinais concretos de crescimento, a julgar pelos números relativos à movimentação verificada ao longo do primeiro semestre do ano em curso. Quanto à percepção anunciada há algumas semanas por setores relevantes da indústria, dando conta do ritmo mais moderado do desenvolvimento na segunda metade de 2008, diante do atual quadro satisfatório já há quem afirme que a desaceleração não terá o peso anteriormente calculado.
Os números apurados no segundo trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, revelaram um crescimento de 6,3% na produção industrial, ao passo que o notável incremento das vendas na rede nacional do comércio varejista ensejou a quebra do recorde de contratação de empregados com carteira assinada no mês de junho. A modificação do quadro passa agora a representar uma preocupação para o médio prazo, tendo em vista a segurança que os analistas ainda conseguem extrair dos principais indicadores econômicos. Portanto, o segundo semestre tem uma reserva positiva de boas surpresas para todos, incluindo a acentuada parcela de famílias cuja renda mensal tem começado a se expandir gradativamente.
A plena certificação do excelente desempenho da economia nos primeiros seis meses do ano desponta do relatório da Receita Federal, no qual é possível constatar que em 2008 a arrecadação de impostos, tributos e contribuições continuará crescendo acima da inflação medida pelo Indicador de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Somente no mês de junho, sem contar com a arrecadação referente à Previdência Social e a parte não-administrada pela Receita os cofres da União tiveram um aporte de R$ 55,74 bilhões, representando um crescimento real da ordem de 7,11% sobre o resultado obtido no mesmo mês do ano passado. Em outras palavras, isso quer dizer que desde janeiro desse ano a União arrecadou o total de R$ 332,2 bilhões, ou 10,43% a mais que a carga tributária imposta às empresas no primeiro semestre de 2007.
Enquanto a máquina tributária dá mostras convincentes do requinte de sua extrema competência, aliás, confirmando a expectativa generalizada de que é o setor governamental de maior eficiência, louvando-se a presteza das informações fidedignas fornecidas à sociedade sobre o quanto esta transfere diuturnamente aos cofres públicos, não é possível deixar de exigir do governo que é tão voluntarioso na hora de cobrar o imposto, a contrapartida proporcional em programas e projetos de interesse da maioria da população.
Infelizmente, milhões de brasileiros ainda são forçados a conviver com a falta de assistência médica e hospitalar, boas escolas para os filhos, moradias adequadas às mínimas exigências da dignidade humana, oportunidades de emprego e salário e segurança, para ficar com alguns dos requisitos básicos que resultam na aferição do que se convencionou rotular de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Nosso País, melhor dizendo nosso governo, apesar de aplicar sobre os setores produtivos, com uma sofreguidão que não perde de vista sequer um centavo de real, uma das maiores cargas tributárias conhecidas na economia mundial, com uma perversidade inaceitável e mediante um método espartano de tratamento continua a constranger uma ampla parcela da população a sobreviver em condições subumanas, em exclusão quase absoluta dos ganhos do bem-estar social e da qualidade de vida.
Todavia, raras são as providências concretas no sentido do ordenamento do corte das despesas efetuadas pelo insaciável mastodonte da máquina administrativa, por natureza perdulária e inoperante. Não é justo nem decente exigir que a sociedade continue arcando com o dispendioso custo de uma estrutura manietada pelo inchaço do empreguismo, que em grande medida existe apenas para satisfazer os interesses fisiológicos dos tributários do poder. A sociedade clama por reformas estruturais, a começar pelo insaciável sistema tributário.