Dia desses, o governador do Estado, através de sua assessoria de imprensa, publicou no site da Agência Estadual de Notícias (AEN) um “editorial” criticando a mídia local que, segundo o texto, só sabe falar de nepotismo. Ora, caro governador, será que somos somente nós que falamos de nepotismo?
Então qual foi o motivo que levou a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) a levar o assunto aos tribunais? Será que foi a imprensa paranaense?
E por que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu fazer valer a Constituição Federal e acabar com a farra do nepotismo? Será que foi por causa da imprensa paranaense?
E, afinal, por qual motivo sua Excelência está alterando os cargos de seus parentes, colocando-os como “secretários especiais”, para tentar fugir da súmula vinculante do STF? Não seria muito mais simples tomar a atitude correta e honesta de afastar os parentes?
Está muito claro, pela decisão do Supremo, que a participação de parentes de políticos no serviço público está limitada aos cargos de confiança política quer dizer, secretários municipais e estaduais e ministros de Estado. Daí a atitude desesperada do mandatário do Palácio das Araucárias, que sequer se preocupa com a confusão que as alterações causarão no organograma do governo do Paraná. Exemplo: não se sabe como a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) vai ser subordinada à secretaria especial que o governador deu ao irmão Eduardo Requião, se ela já está vinculada à secretaria de Transportes. Decretos e mais decretos estão sendo preparados no Casa Civil para justificar a bagunça.
Em resumo uma barafunda com a gestão pública com o único objetivo de favorecer os parentes do governador. Ou se encontra outro motivo? Por mais capazes que possam ser, será que não há técnicos (ou mesmo políticos) que possam assumir seus cargos?
Mas isto não interessa, interessa ao governador manter a parentada firme no governo. E ainda dizem que somos nós, da imprensa, que não paramos de pensar no nepotismo…