O vice-presidente da República, José Alencar, teve alta na terça-feira após 27 dias de internamento – período em que batalhou contra um câncer no abdome, e passou por uma delicada cirurgia que demorou mais de 17 horas. Mesmo abatido com tantas intervenções e principalmente com medicações de última geração (e de efeitos colaterais terríveis), o vice-presidente venceu tudo. E saiu andando do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, e ainda teve força e paciência para atender os jornalistas que se aboletaram em uma sala para uma concorrida entrevista coletiva – e não perdeu a chance de brincar ao falar de economia. “Eu não falo mais de juros. Nos últimos tempos todo mundo está falando, então eu não preciso mais falar.”
Outra declaração de José Alencar foi interessante. Questionado se teria uma força especial para vencer tantos infortúnios (são sete anos de luta contra vários tumores, dezenas de internações no Brasil e nos Estados Unidos, incontáveis cirurgias), respondeu com a simplicidade do matuto de Minas Gerais: “Não há ninguém mais normal do que eu. Tenho a sorte de estar bem orientado e de ter o discernimento de ouvir o que dizem os médicos. Onde está a coragem para um cidadão que não tem alternativa? Enfrentar a cirurgia não foi coragem, mas uma decisão única”.
Talvez o vice-presidente não queira fazer o elogio de suas próprias virtudes. Talvez realmente acredite que não tem nenhum diferencial. Mas José Alencar, ao sair caminhando do hospital após passar por uma enfermidade de alta gravidade, dá novo exemplo a todos nós, brasileiros.
Exemplo de coragem, de luta e de desejo profundo de viver. Como homem público, o vice-presidente sabe que sua presença não é apenas uma simples existência física, mas a prova da respeitabilidade de nossas instituições.
Interessante país, o Brasil. Em diversas oportunidades tivemos vice-presidentes que eram tão brilhantes quanto – ou maiores que – os presidentes. Tivemos José Maria Alckmin, Pedro Aleixo, Aureliano Chaves, Marco Maciel e agora este grande brasileiro chamado José Alencar.