O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá pouco a fazer durante o primeiro turno das campanhas dos candidatos do PT ou dos demais partidos participantes da base parlamentar do governo. Lula decidiu que irá apenas a São Paulo e São Bernardo do Campo, no ABC, a fim de prestigiar os ex-ministros Marta Suplicy e Luiz Marinho, candidatos a prefeito das respectivas cidades.

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Das demais capitais e cidades principais cujo número chega com facilidade à casa de inúmeras centenas, nas quais o atual conglomerado partidário que apóia o governo Lula vai disputar a eleição com mais de um candidato, o presidente já mandou avisar que pretende manter-se eqüidistante das campanhas a fim de não ferir suscetibilidades, e assim contribuir para aprofundar os antagonismos regionais.

Curitiba oferece um bom exemplo da situação ambígua vivida pelo presidente da República, que se tivesse optado por uma presença marcante em favor de seus apoiadores no primeiro turno estaria obrigado a agendar quatro viagens, com o objetivo de subir aos palanques dos candidatos inscritos pelo PT, PMDB, PTB e PCdoB, todos eles integrantes da heterogênea base política do governo. Afinal, o eleitor poderia estar se questionando, a essa altura do campeonato, se a solução mais recomendável não teria sido a coligação do atual basismo em torno do nome mais fortalecido no encerramento do prazo para a realização das convenções.

Raciocinando por hipótese, o que é sempre muito arriscado, é provável que o ponteiro da balança pendesse para a candidata do PT, Gleisi Hoffmann, não por simples coincidência a segunda indicação do eleitorado nas pesquisas já divulgadas, embora a distância a percorrer em relação ao prefeito Beto Richa (PSDB), que busca a reeleição, ainda seja muito grande. O empecilho mais difícil de remover, a prova está em embates eleitorais recentes, é aproximar grupamentos ideológicos de práticas antípodas no exercício propriamente dito da política, sem o risco de alargar de modo irreversível o conflito adubado pela auto-suficiência e o sentimento arrogante de superioridade pessoal.

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A lógica invocada pelos dirigentes ocasionais do citado rol de partidos é que correndo cada um em raia própria no primeiro turno, estarão contribuindo para forçar a realização de uma segunda rodada entre os dois candidatos mais votados. Pela regra vigente, ganha o candidato que tiver obtido o percentual de 50% mais um dos votos válidos. Caso contrário, a decisão final somente será conhecida em votação posterior, quando todos os partidos da base juram convergir naturalmente para o apoio do segundo colocado.

Velhas raposas da política das Minas Gerais, com o ar matreiro que não ocultava a jocosidade, doutrinavam que eleição era igual a minério ou barriga de mulher grávida. Para conhecer o resultado só depois de abertas as urnas. Os tempos mudaram, é preciso reconhecer, mas a máxima cunhada pela tradicional esperteza dos coronéis mineiros ainda deve ser levada em consideração. A conjuntura eleitoral curitibana aponta para a liquidação da fatura já no dia 5 de outubro, tendo em vista a prevalência da opção já adiantada pelos eleitores. Todavia, nada assegura que se possa descartar a possibilidade de segundo turno, da mesma forma como são remotas as chances de outro postulante passar à frente da candidata petista e abiscoitar o direito de bater-se diretamente com o atual prefeito.

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Só com esse quadro é que o presidente Lula estaria pronto a aparecer em Curitiba para pedir votos para um candidato da aliança (o PT e o presidente torcem para que seja Gleisi), mesmo porque o planejamento das viagens de Lula pretende privilegiar as cidades em que o enfrentamento eleitoral se dê entre um candidato da base governista e um oponente do PSDB, DEM ou PPS, a tríade partidária que o Palácio Planalto quer ver pelas costas. Por enquanto, Gleisi só falará com o presidente e figuras importantes da República pelo telefone.