Daniel Augusto Maddalena

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Mais uma vez, a ?escorregada? de nosso popular presidente deixa à mostra as entranhas da relação que existe entre a política econômica do País e o interesse dos banqueiros. Não bastassem as suspeitas – algumas já confirmadas – de que houve protecionismo do atual governo no caso de empréstimos consignados a aposentados, com favorecimento de bancos privados, agora o povo brasileiro leva mais uma ?rasteira? do consórcio nítido que existe entre interesses do governo e de instituições financeiras que operam no País e que, durante o governo Lula, têm auferido lucros exorbitantes.

O termo ?rasteira? é explicado ao se resgatar – a memória popular é fraca – os discursos de nosso então candidato à Presidência. Vociferava contará a especulação financeira dos bancos, contra a falta de crédito para o setor produtivo, bradava a necessidade de o brasileiro poupar para garantir um futuro para seus filhos. Agora se vê, pura balela eleitoreira.

A maioria do povo entrou na ?onda? da poupança, conforme instrução do próprio presidente. Acontece que quem poupa não quer movimentar dinheiro.

Poupa para o futuro. Mas o governo ignorou os poupadores, em geral de baixo poder aquisitivo, e mexeu na Taxa de Referência (TR) – um dos índices de correção das cadernetas. Cedeu ao flagrante lobby dos bancos que estavam perdendo dinheiro com a migração para a poupança de recursos aplicados em fundos de investimento. Mais do que isso, cedeu para que as instituições financeiras ganhassem também nas taxas que envolvem esse tipo de movimentação. Mesmo diante das justificativas dos técnicos para a medida, uma pergunta fica no ar: por que o governo não mexeu nas normas quando, com os juros elevados, era flagrante a diferença de remuneração entre as cadernetas e outras aplicações? Obviamente porque não interessava aos bancos.

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Com a alteração, a correção desse tipo de investimento, que era de 6% ao ano + TR, sofreu seu revés, diminuindo a rentabilidade em algo em torno de 0,5% ao ano. E a perda não pára por aí. Com essa engenhosa e imoral manobra dos banqueiros junto ao governo, o trabalhador com carteira assinada, que viu ao longo desses anos a oferta de emprego formal reduzir-se a níveis alarmantes, independentemente das bravatas fictícias e dos números manipulados que a toda hora aparecem na mídia, também agora vê seu FGTS ser vilipendiado, uma vez que a mesma TR que foi reduzida corrige também esse dinheiro que poderia transmutar-se em um benefício futuro.

Se já não era tão rentável assim a remuneração desse dinheiro do FGTS – 3% ao ano + TR – ficou ainda pior. E se faz necessário lembrar que, além da alteração sofrida, o FGTS carrega a sombra nefasta do Programa de Aceleração do Crescimento, o tão anunciado PAC, já que o presidente quer usar o dinheiro do trabalhador para financiar suas obras.

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Fica a impressão de que não bastam os lucros recordes que os bancos tiveram nesses últimos quatro anos de governo Lula nem as políticas desastrosas como a do crédito consignado, que incentivou o consumo e deixou uma legião de pessoas endividadas, a maioria aposentados. Tudo isso sem computar os escândalos que surgem dia após dia, oriundos do planalto central. O País parece colecionar fatos que nos levam à contramão do desenvolvimento e progresso nacional.

Cada vez mais o meio político dá indícios que nos deixam impossibilitados de negar que haja um interesse mútuo – e execrável – rondando os bastidores de um governo que não se cansa de dar mais um ?passa-moleque? no povo que o elegeu. As atitudes estão cada vez mais explícitas. O povo sofre. E leva.

Preservados mesmo nessa história somente os banqueiros e seu ?sócio?.

Daniel Augusto Maddalena é consultor especialista em cooperativismo.