As reuniões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com diversos prefeitos eleitos e reeleitos apresentam à classe política brasileira o novo rumo do governo federal. A hora é de apostar nas administrações municipais, capilarizando as medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – e, mesmo com a negativa irritada de Lula, que valorizam muito a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que luta para se afirmar no cenário nacional e cacifar a candidatura para a presidência da República na eleição do ano que vem.
Tomemos como exemplo o encontro do presidente com o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB). Lula sabe que Beto é do partido que se coloca como contraponto do PT, é um potencial candidato ao governo do Paraná (contra possíveis candidatos apoiados pela máquina federal) e que, na teoria, não seria “interessante” sequer conversar com ele.
Mas Lula é mais rápido que muitos analistas políticos. Antes de mais nada, pretende contar com a benevolência de todos os chefes de Executivo, estaduais ou municipais – que, em contrapartida, não têm a menor vontade de entrar em atrito com o presidente. Além disso, Lula sabe da trajetória de Beto Richa, deve ter acompanhado com atenção o triunfo consagrador na reeleição do ano passado, e não iria se afastar de um político tão popular. Não foi à toa que a conversa foi mais que amistosa, como relatou a edição de ontem de O Estado: “Temos bom relacionamento com o governo federal e as parcerias com os ministérios e com a Caixa demonstram isso, afirmou Beto, que convidou o presidente a vir a Curitiba inaugurar obra na área da habitação, ainda este ano. Irei com prazer, disse Lula”.
Lula, com a popularidade que tem, não precisa de medidas profundas para conquistar a sociedade. Seu interesse agora é “perpetuar a espécie”, fazendo da ministra Dilma uma candidata com força para chegar ao segundo turno com José Serra (PSDB) e, então, aglutinar as esquerdas para buscar a vitória. Para isso, precisa do sucesso do PAC, e precisa de um bom relacionamento com os prefeitos.