Armando Correa de Siqueira Neto

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Aplicar golpe desonesto para obter dinheiro é uma prática antiga. Em muitos casos o golpista se sucede bem. Em outros, contudo… É justamente para prevenir e se defender que é preciso observar com atenção certas pessoas que se aproximam com narrativas no mínimo pitorescas.

Ultimamente, tem-se observado no comércio a tentativa de tal injustiça. Um exemplo claro diz respeito ao setor supermercadista. Determinada pessoa surge no estabelecimento solicitando ser atendida pelo responsável a fim de expor-lhe algum tipo de dano sofrido por causa de um produto adquirido naquele mesmo local. Ela apresenta o cupom fiscal para dar embasamento ao caso. Em seguida expõe o mal-estar sofrido pelo produto ingerido, levando-a a ter de recorrer a um médico e conseqüentemente a ausentar-se de suas atividades de trabalho, causando-lhe prejuízo. A sua aparência expressa o enorme pesar pelo qual teve que passar. Porém, a malandragem não pára por aí. Tal pessoa é capaz, ainda, de produzir uma carta, na qual conste algum trecho de lei que regule o consumo, aumentando assim a pressão a ser exercida sobre a questão. Cuidado! Pode se tratar de uma farsa sob a aparência de queixa. É bem provável que seja um lobo em pele de cordeiro reclamando uma reparação.

Todavia, avalie bem a situação, pois existe a chance de se tratar de algo real, e deve ser conduzido com rigor. Cumpra-se a justiça. Mas lembre-se que a maldade vem de mãos dadas com o erro, e tal fato pode ser favorecedor se houver atenção e uma boa dose de investigação. O malandro sempre tropeça na sua própria armadilha ao ser incoerente com o depoimento que presta e através das propostas levianas que faz para conseguir dinheiro. Primeiramente, não queira resolver o problema imediatamente, embora seja relevante transmitir esse tipo de impressão ao reclamante. Acalme-se, mantenha o equilíbrio e inicie a avaliação, perguntando detalhes do ocorrido. Caso a pessoa peça dinheiro para que a mesma se dê por satisfeita, não aceite. Informe que o caso será averiguado e que depois, oportunamente, informará a resposta, positiva ou negativa, conforme o que se constatou e de acordo com a política da empresa. Anote todos os dados da pessoa e cheque o telefone (se possível o endereço). Previna-se.

Mesmo sob certa pressão, mantenha-se dentro do planejado. A pessoa poderá alegar que a mídia adora escândalos acerca do consumo irregular. Porém, se você sabe que a sua organização é séria e merece respeito, poderá lutar por justiça ao proceder com a investigação. Abrir precedentes para um malandro é escancarar as portas para tantos outros. Fortifique-se para reduzir a chance de outros ataques desta natureza.

Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo (CRP 06/69637) e diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas. É professor e mestre em Liderança pela Unisa Business School. E-mail: selfcursos@uol.com.br

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