A manchete brandia na página de política da edição de ontem de O Estado: “Requião ameaça excomungar rebeldes”. O texto, da repórter Elizabete Castro, explicava: “O governador Roberto Requião (PMDB) ameaçou excluir da base aliada os deputados que votarem a favor de emendas ao projeto que concede reposição salarial de 6% aos servidores públicos estaduais. A advertência, entretanto, não impediu a apresentação ontem, 12, de dezessete emendas, cinco delas assinadas pelos seis deputados do PT, o principal aliado do PMDB no governo, e duas pelo deputado peemedebista, Mauro Moraes. As demais foram propostas pela bancada de oposição. Todas têm em comum a tentativa de aumentar para 15% o percentual do reajuste”.

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Em resumo, toda a ira incontida do mandatário do Palácio das Araucárias não adiantou nada. Como se fosse um líder religioso enfraquecido, suas ameaças ficaram pelo caminho, e os deputados estaduais, percebendo a situação delicada em que se encontravam, decidiram apresentar as emendas que propõem o reajuste de 15% para os servidores estaduais, o que é o óbvio – até pelo fato dos servidores da iniciativa privada terem sido beneficiados com esse índice na recomposição do salário mínimo regional.

Se é possível para os empresários, precisará ser possível para o governo estadual. Afinal, os servidores estão cansados de tanta defasagem em seus vencimentos. Esperam um reajuste justo, e esperam ainda mais de um político que se gaba de fazer seu trabalho para os mais necessitados.

E é calcado neste compromisso que imagina-se uma mudança de postura do governador do Estado. Que ele mantenha sua palavra, lembre da Carta de Puebla e opte pelos que estão esperando sua intervenção. A população está cansada de tantos privilégios, e teve um alento com a reação dos deputados, que enfim ignoraram a ignorância de seu “líder” e desafiaram o comando oficial. Que, apesar da ira, Requião não pode fazer mais que ameaçar – pois, apesar da empáfia, depende tanto dos deputados quanto estes dependem dele.

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