Ladrões de carga

Terça-feira, tivemos uma boa notícia. Uma ação conjunta da Polícia Civil paranaense com os colegas de São Paulo e Rio Grande do Sul prendeu uma das maiores quadrilhas de ladrões de carga do sul do Brasil. O repórter Márcio Barros acompanhou e contou na edição de ontem de O Estado: “Foram cumpridos 10 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, simultaneamente em Toledo, Cascavel, Maringá e Santa Rosa (RS). A polícia apreendeu radiocomunicadores e mercadorias roubadas, como calças, chocolates, produtos de limpeza e acessórios de veículos. O grupo já estava sendo investigado há mais de nove meses por envolvimento em pelo menos seis roubos, que resultaram num prejuízo de mais de R$ 1 milhão”.

Foi um belo trabalho da Polícia Civil. Hoje, em um país que se transporta prioritariamente pelas estradas, os pilhadores de cargas têm o trabalho “facilitado”, por conta justamente da concentração nas rodovias. Alguns pontos mais delicados da malha rodoviária são aproveitados pelos ladrões, que começam ali uma trajetória fora-da-lei que só vai terminar nos balcões dos centros das grandes cidades.

Sim, pois é na interceptação de cargas que se inicia o caminho dos produtos que são vendidos com preços atrativos em locais como a Rua 25 de Março, em São Paulo. É o fruto do contrabando que se vê por lá (além, claro, da pirataria que abunda em produtos como DVDs, CDs e programas de computador), em aparelhos de alta tecnologia, produtos médicos, roupas e outras coisas mais.

E o prejuízo de R$ 1 milhão citado na reportagem é apenas o do valor das cargas roubadas. Se for contado o imposto não arrecadado pelos governos federal e estadual, o lucro dos comerciantes do mercado formal e a garantia perdida pelos consumidores, o dinheiro perdido aumenta ainda mais. Dinheiro nosso.

Por isso as prisões e apreensões da semana devem ser comemoradas. Claro que o ideal seria que isto não existisse. Mas, infelizmente, não vivemos em um mundo de fantasia onde não existem contraventores. No mundo real, eles precisam ser combatidos. Sempre.

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