Os juros médios cobrados para a pessoa física no País ficaram em 7,33% em abril, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), o menor valor em um ano. É mais um dado que reforça a facilidade de crédito – a melhora gradativa indica uma recuperação leve da economia, o que já é uma grande notícia em meio à terrível crise financeira internacional.
É o resultado de um trabalho combinado entre governo e iniciativa privada. O governo fez tudo o que estava a seu alcance (e que não fosse uma loucura) para reduzir o impacto da crise. Para evitar a queda no consumo, a ideia – correta – foi aquecer o mercado interno. Os impostos caíram, a taxa básica de juros idem. Isto favoreceu a venda de carros, eletrodomésticos, produtos de primeira necessidade e medicamentos.
A construção civil foi beneficiada com uma série de medidas, que desembocaram no projeto Minha casa, minha vida, do governo federal. Foram criadas facilidades para quem quer comprar a casa própria.
Além disso, a queda da taxa Selic gerou um efeito dominó, que reduziu todas as taxas para créditos e empréstimos. Por exemplo: os juros do cheque especial caíram de 7,75% para 7,66%; no empréstimo pessoal, de 5,46% para 5,39%; e no crédito direto ao consumidor (o chamado CDC), de 2,92% para 2,88%.
Em resumo, o momento é mais favorável para quem quer investir, comprar ou emprestar dinheiro das instituições de crédito. Certamente não é igual ao período de euforia que terminou em setembro, mas é muito melhor que em dezembro ou janeiro.
E o governo sabe da importância deste movimento positivo na economia. Os consumidores gastaram muito nos últimos três anos, aproveitando a facilidade incrível de crédito, e havia o risco de uma forte retração. A ação generalizada dos protagonistas da economia permitirá que o Brasil não saia tão ferido do vendaval financeiro, que abalou países teoricamente muito mais preparados do que o nosso, como Estados Unidos e vários da União Europeia.