Contrariando as expectativas do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom), integrado por oito diretores do Banco Central (BC) reduziu de 13,75% para 12,75% ao ano os juros básicos da economia brasileira. À semelhança dos mais candentes julgamentos realizados nos últimos tempos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), algo assim como a liberação das pesquisas com as células-tronco ou a demarcação contínua das terras indígenas da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, as atenções gerais do País foram direcionadas para a ansiada decisão do Copom, declarando-se ato contínuo que seus componentes divergiram quanto ao resultado final.

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Três dos oito integrantes do Copom votaram pela redução de apenas 0,75 ponto percentual da Selic, ao passo que os outros cinco fizeram valer a vontade majoritária e cravaram um ponto percentual de redução. Mas, para que nenhuma ramificação do mercado se excedesse na dose de otimismo, o comunicado emitido conforme a praxe logo após o anúncio do corte, reiterou que “avaliando as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 12,75% ao ano, sem viés, por cinco votos a favor e três pela redução em 0,75 ponto percentual”.

Na visão dos analistas do mercado, o pormenor que de fato deve ser escrutinado em profundidade está na observação de que “com isso, o comitê inicia um processo de flexibilização da política monetária realizando de imediato parte relevante do movimento da taxa básica de juros, sem prejuízo para o cumprimento da meta para a inflação”. Os mais sintonizados com a realidade nua e crua das entrelinhas dos comunicados e atas do Copom, se arriscam a apostar porção substancial de suas fichas na possibilidade da manutenção da taxa anual de 12,75%, na próxima reunião do referido grupo técnico, em março. Todavia, há os que se baseiam na contenção da expectativa inflacionária para 2009, próxima ao centro da meta perseguida pelo BC (4,5%), para indicar a probabilidade de novos cortes da taxa Selic no decorrer do ano.

Um dia antes da reunião do Copom, os cadernos de economia davam conta da determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos dirigentes do Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), no sentido da redução das taxas de juros cobrados das pessoas físicas e empresas. Poucas vezes se viu tamanha sinergia, porquanto algumas horas mais tarde ambas as instituições bancárias estatais comunicavam a redução das taxas de juros sobre empréstimos pessoais e cheques especiais. No Banco do Brasil a taxa caiu de 6,50% para 4,99% ao mês (menos 1,51 ponto percentual), equivalendo à redução de 23,33% em relação ao valor cobrado em dezembro. A Caixa Econômica Federal, menos pródiga, baixou os juros de 4,49% para 4,44% ao mês, com um decréscimo de 0,05 ponto percentual, ou 1,11% em relação a dezembro. O recuo menor da CEF se deveu ao fato de que suas taxas eram inferiores às do Banco do Brasil.

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Os consumidores, de modo geral, esperam que o exemplo do governo seja seguido pelo sistema bancário privado e, que a diminuição dos juros não tarde e exceda os pálidos números já aventados pelos analistas da economia. No jargão bancário, denomina-se spread a enorme diferença entre a taxa Selic e os juros efetivamente praticados nos contratos de empréstimos pessoais ou financiamentos para empresas, não raras vezes chegando ao estratosférico patamar de 150% anuais.

Uma reação, no mínimo inusitada, sobre a redução da taxa Selic foi produzida pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que não só aplaudiu a medida do Banco Central como se manifestou “otimista” com a mudança da política monetária. Minutos depois, a mesma entidade deu a conhecer uma segunda nota, surpreendendo os observadores ao condenar com todas as letras o corte de “apenas um ponto percentual”, numa redução que “não atende os interesses do Brasil neste momento de crise”. O contraponto foi oferecido, entrementes, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que qualificou a decisão do Copom de “sensata e pragmática”.

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