Um campo obrigatório de observação, sempre que o tema em exame for a eleição presidencial de 2010, é a cidade de Belo Horizonte, cenário de acirrada disputa no segundo turno entre o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB) e o ex-secretário estadual Márcio Lacerda (PSB), candidatos ao cargo de prefeito municipal da capital mineira. Lacerda contou desde o início com o apoio do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito em final de mandato, Fernando Pimentel (PT), que juntaram forças para suprir a escassez de quadros em seus próprios partidos, aptos a enfrentar um desafio desse porte.

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O problema é que o prefeito Fernando Pimentel bateu de frente com personalidades de monta no petismo mineiro, dentre elas os ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci, que ao lado de um grupo importante do partido defenderam o lançamento de uma chapa pura. A discussão percorreu os canais competentes da estrutura interna do partido até chegar à executiva nacional, que também vetou a coligação com o PSDB, como tencionavam Aécio e Pimentel. O governador subordinou-se a uma aliança informal, desde que Márcio Lacerda estivesse na cabeça da chapa.

A arrancada inicial fulminante do candidato prestigiado pelo governador e pelo prefeito de Belo Horizonte, a despeito da visibilidade zero na política mineira, sedimentou a confiança de seus patrocinadores, embora nas últimas duas semanas da campanha, o deputado Leonardo Quintão tenha se aproximado perigosamente do então favorito. Segundo o Ibope, o peemedebista conta hoje com 51% das intenções de voto, ao passo que Lacerda tem somente 33%. Analistas políticos de Minas lembram que o principal erro da campanha de Lacerda no primeiro turno foi a estranha estratégia de escondê-lo da população julgando que isso traria maior rendimento para o candidato. O socialista reconheceu agora que não foi exposto como deveria no primeiro turno e essa é a desculpa mais elaborada para minorar o resultado das urnas.

Quintão, com o apoio decidido do ministro das Comunicações, Hélio Costa, e da estrutura municipal do partido acabou atropelando por fora para assumir a ponta. Os operadores da campanha do ex-secretário afirmam que o quadro vai mudar com a exploração nos debates, da provada deficiência de Quintão em questões técnicas sobre orçamento e gastos públicos. O PMDB, por sua vez, ressalta o fato de Lacerda ter ocupado o cargo de secretário executivo do Ministério da Infra-Estrutura no primeiro governo Lula, do qual se exonerou quando pipocaram indícios de sua ligação pessoal com o esquema dos mensaleiros.

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A derrota de Lacerda será um prego no sapato do governador Aécio Neves, que pretende disputar com José Serra, a indicação tucana para liderar a chapa concorrente à sucessão de Lula. E não será menos prejudicial ao prefeito Fernando Pimentel, cuja meta subseqüente é ser indicado candidato do PT ao Palácio da Liberdade, com a repetição do apoio do governador. A briga é boa, pois Patrus Ananias e Luiz Dulci, mesmo sem admitir em público também aproam suas canoas na mesma direção. A mesma disposição consta da agenda do ministro Hélio Costa, que deverá entrar em campo com força máxima caso consiga eleger seu candidato a prefeito de Belo Horizonte.

Voltando às sondagens em torno da chapa tucana para 2010, o governador José Serra terá nítida vantagem se Lacerda afundar e Kassab vencer Marta Suplicy, como tudo leva a crer. A coligação com o Democratas ficará fortalecida, tornando bastante provável que o candidato a vice-presidente desponte dos arraiais do antigo pefelismo, com a chance da escolha recair sobre um político nordestino.

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Enquanto isso, a esquadrilha liderada pelo PT deverá se contentar com a indicação in pectore do presidente Lula, a ministra Dilma Rousseff e, segundo pitonisas de plantão no planalto, com o governador fluminense Sérgio Cabral Filho (PMDB) na vice-presidência.