O ministro da Justiça, Nelson Jobim, não se furtou e foi à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os grampos telefônicos. E confirmou o que já dissera à imprensa – a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) comprou equipamentos para escuta telefônica, as tais “maletas” tão comentadas pelos políticos nas últimas semanas.

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Disse mais: que o Exército confirmou a ele, Jobim, que os equipamentos comprados nos Estados Unidos serviam justamente para as escutas; que afirmara isso em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que a situação fora negada pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix; e que as especificações do material, que ele entregou ao presidente, eram as mesmas que repassara à CPI.

Pois então. E agora? Como ficam os que negam tais informações – basicamente o ministro Jorge Félix e os diretores (atuais e afastados) da Abin – depois da manifestação de um ministro de Estado? Eles precisam se pronunciar.

Por sinal, merece elogios o minstro Nelson Jobim, pois foi ao Congresso Nacional para conversar com a CPI, enquanto outros homens públicos preferiram se calar, ficando apenas à margem dos acontecimentos, como se isso fosse possível.

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O que a sociedade quer é que esta situação seja devidamente explicada. Entende-se naturalmente que os órgãos de segurança institucional (que são importantes, mesmo em uma nação democrática como o Brasil) precisem de determinados equipamentos que permitam investigações aprofundadas. Mas não podemos viver em um país que acompanha, assustado, suas principais autoridades serem “grampeadas” a torto e a direito.

Por isso a importância do trabalho da CPI. Sem gracejos e sem tergiversações, os deputados e senadores têm a obrigação moral de abrir esta caixa-preta, evitando que a liberdade do País seja colocada em dúvida. Ao mesmo tempo, espera-se que não sejam criados obstáculos para as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, que são importantes no desbaratamento de grandes esquemas de corrupção.

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