Eleição é eleição em qualquer lugar. Não existem grandes surpresas de marketing ou de discurso que atraiam a atenção dos analistas. O que acontece são variações sobre o mesmo tema – quando um é mais agressivo, outro é conciliador; quando um busca o apoio das minorias, outro imagina a união nacional; quando um se proclama de “esquerda”, outro se anuncia de “direita”. É sempre assim, nunca muda.

continua após a publicidade

E nos Estados Unidos, nação democrática e polarizada, não seria diferente. Uma semana atrás, o democrata Barack Obama partiu para o ataque, foi muito agressivo e virou a manchete da imprensa internacional. Nesta semana, foi a vez de John McCain, enfim proclamado candidato do partido Republicano, fazer seu discurso aceitando o posto.

E, ao contrário do que vinha fazendo, preferiu se apresentar como candidato da conciliação, fazendo de sua experiência em negociações no Senado um trunfo de governabilidade sobre o adversário. E usou, inclusive, a palavra-chave da campanha de Obama, “mudança”, para nortear seu discurso e para balizar o que pretende no governo dos Estados Unidos.

McCain mudou de estilo, assim como Obama. Eles, talvez por pura estratégia de campanha, apresentaram o “outro lado” de suas personalidades, mostrando que podem ser firmes quando necessários, mas que ambos são políticos abertos ao diálogo, líderes prontos para encarar as dificuldades que se avizinham para o “grande irmão”.

continua após a publicidade

Aos eleitores sobra a tentativa de descobrir quem é mais verdadeiro. Não se pode mais acreditar que os candidatos são somente aquilo que apresentam em uma campanha – se fossem, teríamos o reino da virtude na Terra. É preciso saber quais são as verdades e as mentiras nos discursos de Barack Obama e John McCain (e também dos vices Joe Biden, mais sereno, e Sarah Palin, a mãe-pitbull). Compreender as diferenças dos candidatos será decisivo na eleição norte-americana – pois, a cada momento, democratas e republicanos se encaminham mais para o centro, e ficam mais iguais nas propostas, nas atitudes e na política.