Jacinto Lamas…

Diz o articulista José Simão que este é o país da piada feita. Pois é. Agora, tem mais uma: um dos participantes do imbróglio dos Correios e outras mutretas chama-se – vejam só! – Jacinto Lamas, tesoureiro, ao que parece, do PL. Podia ser: Pressinto Barros, Jacinto Catinga e outros mais apropriados.

Já sinto lamas, barros, catinga… Vocês viram os pulhas sendo interrogados na CPI, divertindo-se às pampas, falando em seus milhões não contabilizados e que sempre foi assim… e coisa e tal. Importâncias não contabilizadas! Que eufemismo supimpa, meus senhores, na designação das trapaças e outros crimes contra o sistema financeiro, cometidos por Vossas Excelências!

E aquele outro espertalhão que estava prestando seu depoimento, tentando inocentar a mulher. Enquanto isso, a patroa tentava retirar do banco a bagatela de quase dois milhões de reais!

Dizem que o publicitário exigiu duzentos milhões de reais para ficar de bico calado… e fechar a mangueira que continua jorrando titica no ventilador. Macacos me mordam! Pra que tanta grana?

Exasperado com a desfaçatez do depoente, aquele menino, neto do ACM, tachou-o de mentiroso e de ladrão. Bem feito! – pensei. Pelo menos, vai levar esse castigo de ser desmascarado perante toda a nação, se outro castigo não lhe for aplicado, se tudo vier a terminar em pizza.

E aquele bispo de uma certa igreja, que transportava, num jatinho particular (da igreja!), vinte milhões de reais dentro de várias malas, dizendo que se tratava de oferendas de fiéis… A Polícia Federal descobriu, depois, que as cédulas estavam devidamente etiquetadas e organizadas em números de séries. Deve ter dado um trabalho danado para o bispo arrumar tantas notas pela numeração!

Fico pensando comigo mesmo: será que essa gente não tem família, não tem filhos, não tem pai nem mãe? Ou esses indivíduos nasceram de chocadeira? Será que não têm vergonha dos vizinhos? Será que não têm vergonha na cara?

E que dizer daquela secretária do Marcos Valério, que declarou ao jornalista João Dória que está negociando posar nua na revista Playboy para faturar dois milhões, com os quais pretende fazer sua própria campanha para deputada? Deixando de lado qualquer resquício de pundonor, eu me pergunto: que espécie de deputada será ela, se já começa desse jeito? Pelada e sem… conteúdo? Não será isso, no mínimo, propaganda enganosa? Como diria José Simão, isso mais parece uma chantagem, uma ameaça: ?Olhe aqui, pessoal, se vocês não me descolarem aí uns dois milhões, eu vou posar pelada na Playboy!?.

Essa moça, diz José Simão, está levando muito a sério aquele ditado de que a verdade deve ser nua e crua, por mais feia que seja…

Albino Freire é juiz de Direito aposentado e membro da Academia Paranaense de Letras. 

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