A página 4 da edição de ontem de O Estado destacava a indecisão do governo brasileiro sobre a intenção do Paraguai em rever o Tratado de Itaipu, que versa sobre a energia produzida pela maior hidrelétrica do Ocidente – e, é bom lembrar, fica no Paraná (portanto, é assunto de nosso interesse).
A matéria, que vinha de fonte insuspeita, a Agência Brasil, que é simplesmente a agência de notícias do governo federal, trazia a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – ou, melhor, a falta de posição: “O presidente disse que ainda está em discussão a proposta que será levada ao Paraguai para negociação em relação à Usina Binacional de Itaipu. (…) No próximo sábado (25), Lula se reúne com o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, para novas negociações sobre Itaipu. Os presidentes e suas equipes tentarão, mais uma, vez conciliar as demandas paraguaias com o interesse brasileiro”.
É surpreendente o fato de ainda não estarmos com um plano definido para negociar com os paraguaios, faltando poucos dias para o encontro. Principalmente pelo fato de a “demanda” dos vizinhos ser clara desde a eleição de Lugo, ano passado, quando esta foi uma das plataformas de campanha do ex-bispo. A impressão que se tem é que o Brasil está muito tranquilo para a cúpula de sábado, como se tudo ficasse na mesma.
E não é assim. Fernando Lugo está “doidinho” para seguir o caminho bolivariano de caderninho propalado pelos presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia). Eles misturam atentados à liberdade com medidas populistas, sempre dizendo que estão fazendo o bem do povo, quando na verdade estão só aumentando o próprio poder e beneficiando sempre eles próprios.
Não será surpresa se Lugo, arranhado com seus escândalos sexuais, queira jogar para a torcida e atire pesado na reunião de sábado. O presidente Lula e seus auxiliares (o mais destacado é o diretor-geral de Itaipu, Jorge Samek) precisam ficar atentos, pois qualquer fraqueza pode ser decisiva nas tratativas sobre a hidrelétrica.