“Será que o telespectador concordaria que o governador se calasse para manter uma bancada que tem a obrigação de ser séria? Eles querem o silêncio obsequioso, canalha, covarde. Não vão conseguir. A bancada perde em qualidade no momento em que pede para silenciar as denúncias.”

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A declaração acima é do governador Roberto Requião, na terça-feira, na Escola de Governo, transmitida pela TV Paraná Educativa e pinçada pelo repórter Roger Pereira na edição de ontem de O Estado. Fala o governador sobre os deputados do PSDB, que decidiram não mais votar a favor de projetos oficiais, e sobre as denúncias que envolvem o prefeito de Curitiba Beto Richa, outro tucano. Ele deixa claro que não achou errado a emissora veicular um programa com ataques ao prefeito.

Mas como reagiu Requião e sua bancada na Assembleia Legislativa do Paraná depois da matéria exibida na segunda-feira pelo programa CQC, da TV Bandeirantes, que retratava o uso político da compra de ônibus? Muitos se calaram, outros atacaram a matéria como inverídica e “plantada”. A bancada não perdeu em qualidade no momento em que pediu para silenciar as denúncias? Não é a mesma coisa?

É interessante a postura do governador do Paraná. Para ele, só é válida a reclamação quando não diz respeito a ele. É como se a seção de cartas de O Estado registrasse somente os elogios ao jornal. A vida não é assim. Há pessoas a favor e contrárias ao que se aponta aqui, ou na página de política, ou de economia, ou de esportes.

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E a irritação de Roberto Requião é desmedida. Tudo que ele lamenta agora ele fez quando era oposição ao governo de Jaime Lerner. E quando Fernando Henrique Cardoso era presidente da República? O então senador Requião, ao que consta, não pensava no bem da sociedade, e sim em tentar atrapalhar as ações governamentais.

A decisão dos tucanos pode ser questionada, mas não é na base da gritaria que será mudada. Se fosse um político mais racional, o governador certamente teria condições de, na base da conversa, acertar os ponteiros com os deputados do PSDB.

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