O ritmo da produção industrial caiu 5,2% em novembro na comparação com outubro, fazendo com que os analistas alimentem a crença na provável diminuição do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre, num intervalo variável entre 0,5% e 1%. Tudo leva a crer que o desempenho industrial não conseguiu recuperar as perdas em dezembro, mesmo com o aumento das vendas de automóveis facilitadas pelo corte de impostos efetuado pelo governo. Assim, a opinião geral é que o PIB industrial referente a 2008 não ultrapasse a casa dos 5%, perdendo por um ponto percentual para o resultado verificado no período anterior.

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A avaliação foi feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que dentre os 27 setores industriais pesquisados apontou expansão em apenas seis. O maior percentual de queda foi registrado no setor de bens duráveis (veículos automotores e eletroeletrônicos), que produziu menos 20,4% em relação a outubro. Também nas áreas de bens de capital e bens intermediários houve recuos de 4% e 3,9%, respectivamente. Diante do quadro adverso, os economistas ligados a bancos e consultorias revisaram para baixo as estimativas de crescimento do PIB em 2008. A estabilidade esperada foi rompida pela queda de 1% em relação ao terceiro trimestre, levando alguns a admitir que o PIB anual sofra uma pequena retração dos 5,8% estimados para 5,5%.

Tendo em vista um primeiro trimestre fraco em 2009 e a probabilidade cada vez mais concreta de novas quedas em relação a períodos anteriores, o PIB continuará se retraindo, configurando no jargão dos economistas a chamada “recessão técnica”, ou seja, a queda da produção em dois trimestres consecutivos. A redução da produção teve início em outubro e se acentuou nos meses seguintes, segundo a percepção de Silvio Salles, coordenador do setor industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em função das férias coletivas concedidas aos operários pelas montadoras e dos entraves para a obtenção de crédito, a fabricação de veículos automotores despencou 22,6% em novembro, a maior queda anotada pelo IBGE desde o começo da série histórica em 1991.

Com os resultados negativos espraiados também pelos setores de bens de capital e bens intermediários, onde pontifica a produção de insumos e matérias-primas para as indústrias de transformação, no conjunto, a indústria acusou um corte de 6,2% e, pior, interrompeu uma coleção de 28 altas sucessivas de acordo com a metodologia empregada para avaliar o desempenho. Os analistas aguardam que a primeira medida corretiva venha do Banco Central, mediante o corte ainda em janeiro de pelo menos meio ponto percentual na taxa básica de juros.

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Autoridades monetárias, entretanto, advertem que a queda da produção industrial era esperada para os dois últimos meses de 2008, especialmente nas montadoras de automóveis, numa ocorrência sazonal que não tardaria a melhorar. Mesmo tendo se esforçado para transmitir um clima de confiança à população, custando a admitir que os efeitos da crise financeira global já haviam desembarcado no País, ainda assim o governo acha que a queda na produção industrial em novembro é fruto da necessidade das empresas reajustarem seus estoques. Uma operação demorada que poderá se estender por até 180 dias. O fato em si não chega a estranhar, pois já se sabia desde agosto que os estoques eram muito altos mesmo para a demanda aquecida da época. Quando se anunciou a quebra do poderoso banco de investimentos Lehman Brothers, fato que marcou definitivamente a explosão da crise financeira global, a reação imediata dos empresários foi reduzir a produção e promover a desova dos estoques.

Esgotada essa fase, que se espera tenha curta duração, as indústrias voltarão a produzir numa escala adequada à nova realidade posta pelo mercado. De qualquer forma é necessário paciência, pois ninguém deve esperar mudanças radicais nesse primeiro trimestre.

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