Indignação dos índios

Os primeiros dias da semana foram marcados pela indignada reação dos índios caingangues da reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, norte do Paraná. Reclamando da passagem de linhas de transmissão da Companhia Paranaense de Energia (Copel) na área, eles atacaram funcionários terceirizados e um sociólogo da estatal, mantendo os três reféns por longo período. E não só isso – também hostilizaram jornalistas – o repórter Ricardo Vilches, da RICTV, foi agredido pelos índios.

Mas qual é o problema? Na edição de terça-feira de O Estado, a repórter Luciana Cristo explicou: “Os índios reivindicam o pagamento de uma indenização da Copel pela utilização de cerca de dez quilômetros do território indígena por onde há mais de 40 anos passa uma linha de transmissão de energia da Usina de Figueira até proximidades de Apucarana. Diante da reivindicação indígena, o Ministério Público propôs intermediar um acordo entre Copel e comunidade indígena para reparar os impactos econômicos, ambientais e culturais”.

O interessante da história é que as fotos da região mostram que a única intervenção feita foi a construção das linhas de transmissão – e, claro, as placas que avisam que há material de alta tensão no local. Na comparação simples com o total da reserva Barão de Antonina, as torres da Copel ocupam um pequeno espaço, e não deveriam causar a celeuma que causaram nos últimos dias.

Mas aí é inevitável voltar para um tema que já foi citado pela imprensa – a excessiva revolta dos índios. Não há como negar que o que foi feito com eles na história do Brasil não tem perdão, mas não é com dinheiro que se diminui o impacto da violência sofrida em mais de 500 anos. E muito menos com violência, uma espécie de “olho por olho, dente por dente” que não leva a nada.

A relação entre os índios e o poder público teve um capítulo fundamental na semana passada, com a demarcação contínua das terras da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Talvez tenha sido a maior vitória dos indígenas nos últimos cem ou duzentos anos. E foi sem dinheiro, e sem violência.

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