Incredulidade da população

A cada instante, temos a sensação de que ainda não chegamos no fundo do poço. Os dramas da segurança pública se acumulam por todos os cantos do Brasil, como se não tivéssemos o poder de estancar esta crise cada vez mais cruel. Dois fatos foram marcantes neste início de semana – no País, a reação de uma comunidade (ou de parte dela) à ação policial em São Paulo; no Paraná, o trágico assassinato de um jovem e a tentativa de homicídio de sua namorada, no litoral.

Ver as cenas de quebra-quebra na favela de Paraisópolis, encravada em uma região nobre da capital paulista, surpreende e assusta. Principalmente pelas reações desproporcionais dos dois lados. Primeiro, da polícia, pela ação do domingo, em que prendeu um jovem com um veículo roubado – jovem que acabou morrendo. Depois, da “comunidade”, que decidiu cobrar um pretenso “olho por olho, dente por dente”, atacando qualquer tipo de agente de segurança que passasse por ali, e também o que havia pela frente, como carros, lojas e móveis.

Tudo isso a menos de um quilômetro de uma das regiões mais ricas de São Paulo – o aristocrático bairro do Morumbi, área de mansões envolvidas de verde e de prédios que rasgam o céu com apartamentos duplex e triplex. É como se uma impossível união social fosse feita através da violência nua e crua.

Em Matinhos, uma cidade que também tem a mistura entre os ricos e os “remediados” do Paraná. Mas neste caso não houve nenhum componente social. Muito pelo contrário – no caso há a crueldade de um maníaco e a incredulidade da população. Há um casal, que aproveitava o final de semana com os familiares e foi conhecer a gruta da Praia dos Amores. Apareceu o assassino, tentou violentar a moça, o namorado reagiu e foi brutalmente assassinado. Mais tarde, ele voltou e estuprou a jovem, que já levara dois tiros.

A única coisa que se espera (nos dois casos) é que haja uma reação. Em São Paulo, a diminuição gradual da tensão e o retorno do convívio humano entre população e polícia. Aqui, que se descubra o paradeiro de mais um protagonista do triste dia-a-dia da violência.

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