A última semana que precede a realização do primeiro turno das eleições municipais, ao que tudo indica, não trará nenhum fato novo ou grande surpresa capazes de alterar substancialmente as posições até aqui definidas. Se alguma surpresa houve, a mesma ocorreu na cidade de São Paulo, onde a acirrada disputa entre o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) que concorre à própria sucessão, e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que ao se candidatar a prefeito ajudou a tornar explícita a fragilidade de quaisquer alianças partidárias, parece ter assumido uma configuração que o eleitorado paulistano já se mostra predisposto a confirmar no próximo domingo.

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A pesquisa feita pelo Ibope com os eleitores paulistanos, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo na edição desse domingo revelou a vantagem de cinco pontos percentuais para o prefeito Gilberto Kassab, que atingiu 25% das intenções de voto, ao passo que o ex-governador Geraldo Alckmin tem 20%. A candidata do PT, Marta Suplicy continua na frente com 35%, e a indicação manifesta é a realização do segundo turno para decidir quem governará a mais importante cidade brasileira no quatriênio 2009-2012. As pesquisas já mostraram que a ex-ministra do Turismo terá um árduo confronto, tanto ao enfrentar Kassab quanto Alckmin no segundo turno. Lá os eleitores compreenderam a necessidade de prolongar os debates por vinte dias, a fim de fazer a escolha mais acertada.

De qualquer forma, a inclinação final em favor do atual prefeito Gilberto Kassab, apoiado por um forte grupo que passou a ser denominado de “tucanos traíras”, deixou numa incômoda saia, justa o governador José Serra que, diga-se a bem da verdade, fez todo o possível para manter coesa a coligação PSDB-DEM que garantira, quatro anos atrás, a eleição da chapa Serra-Kassab. O governador estava certo de que conseguira convencer o partido a referendar a candidatura do atual prefeito à reeleição, dando assim continuidade à coligação com os democratas. Todavia, o ex-governador Geraldo Alckmin não aceitou a tese conformista e acabou abrindo uma dissidência constrangedora no aparentemente cordial e civilizado ninho tucano.

Kassab, reconfortado pelos benfazejos cinco pontos de vantagem sobre Alckmin (sua campanha, de fato, mostrava empolgante ritmo de crescimento), prontamente declarou aos jornais que espera contar com o apoio do ex-governador no segundo turno, alegando que a tendência dos eleitores paulistanos é um sinal claro da boa avaliação obtida pela administração integrada por muitos quadros do PSDB. A ala ligada a Alckmin proclama em alto e bom som que os tucanos alinhados à candidatura de Kassab são “traíras” e, por conseguinte, deverão ser expulsos do partido. Entrementes, o ex-governador deu o troco na mesma moeda, afirmando contar com o apoio dos kassabistas caso seja ele o escolhido para bater-se com Marta Suplicy.

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Em Curitiba, a situação guarda certa semelhança com a campanha paulistana, mudando-se apenas o detalhe da atordoante vantagem do tucano Beto Richa sobre os candidatos dos principais partidos da oposição (PT, PMDB e PTB), que fizeram tábula rasa da tese suicida das candidaturas próprias, quando a lógica indicava que a melhor saída seria uma grande aliança em torno do candidato melhor credenciado na avaliação popular. Nenhum fato superveniente serviria de empecilho, porquanto esses partidos e mais o PCdoB são integrantes da base de sustentação do governo Lula. As defecções representadas pelo apoio de pepistas e pedetistas à campanha de Beto haveriam de ser absorvidas como contingência normal da conjuntura política doméstica.

Considerando que na práxis política a teoria é essencialmente outra, como diriam os céticos, a oposição curitibana perdeu-se num pernosticismo esvaziado de resultados concretos e distante dos eleitores. Para algumas figuras a derrota será definitiva.

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