Emanuel Gonçalves da Silva

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Recentemente, estava assistindo a um programa jornalístico diurno quando, logo no começo, uma reportagem destacava que os empréstimos aos aposentados e pensionistas, com descontos em folha, eram uma boa para a economia; que injetava dinheiro extra ao consumo e também era bom para os funcionários públicos aposentados e pensionistas que pretendiam quitar as dívidas existentes com juros mais elevados e ainda fazer compras.

Um engano terrível! Nenhum dinheiro extra, vindo de empréstimos, é bom pra ninguém. Pagar dívidas contraindo outras dívidas nem sempre é bom, senão vejamos: a maior parte deste dinheiro vai para quitar débitos, sobra um pouco para supermercado, entre outros, só que as conseqüências aparecem a partir do mês seguinte.

Vamos a um exemplo prático: o servidor pode obter empréstimos cuja prestação tenha valor até 30% do seu salário líquido, ou seja, quem recebe mil reais e faz um empréstimo, em 36 meses, vai, a partir do próximo mês, receber líquidos apenas setecentos reais. Isto vai acontecer durante dois ou três anos, de acordo com o plano de pagamento escolhido. Ora, se os mil reais de salário líquido já não estavam sendo suficientes, como vai ser o orçamento dessas pessoas durante esse período após comprometerem até 30% de sua renda?

O que verdadeiramente ajudaria a economia seria um crescimento real do poder de compra do servidor, com aumento de salário, coisa que não acontece há dez anos. Se eles tivessem mercado para arrumar outro emprego, aqueles que ainda podem trabalhar também teriam uma alternativa para aumentar sua renda, só que nenhuma dessas possibilidades existe, logo, não há opção a não ser viver rigorosamente dentro do seu orçamento.

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Este é um excelente negócio para quem está emprestando dinheiro, que vai ganhar mais que o dobro, com risco zero de inadimplência, tanto que, mesmo com nome na Serasa, eles emprestam pela garantia do desconto em folha. Sabe o que vai acontecer a quem recorreu ou vai recorrer a esses financiamentos? Vão viver atrás de outros empréstimos para completar suas necessidades de sobrevivência; vão estourar o limite do cheque especial; vão a todas as financeiras que emprestam a 8%, 12% e 20% ao mês; vão até a agiotas, tudo isto enquanto durar o crédito, depois o problema vai se transformar numa bola de neve e estourar.

Vão ficar devendo dez, quinze, vinte vezes mais do que ganham, com as seguintes conseqüências: nome sujo na Serasa, cheques devolvidos com o nome no Banco Central e mais pressão das cobranças com telefonemas todo dia e toda hora para o trabalho e residência, ameaçando com recados desaforados, cartas com prazos de 48 horas, e todos com a auto-estima lá embaixo como caloteiros e a vida virando um verdadeiro inferno. Lamentavelmente, este é o caminho que muitos estão percorrendo e isso vai continuar acontecendo a quem se deixa iludir pela propaganda e pelas facilidades de tomar dinheiro emprestado. Não tem jeito, sendo pouco ou não, para sofrer menos, você tem de viver dentro do seu salário.

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E agora o governo federal está oferecendo um ?grande? aumento, 0,1%. Vamos traduzir: quem recebe mil reais, vai ter um real de aumento, isso mesmo, R$ 1,00. Não vai ser suficiente nem para cobrir uma das diversas taxas indevidas que os bancos debitam em sua conta corrente. Isto é o que podemos qualificar de um aumento verdadeiramente desaforado!

Emanuel Gonçalves da Silva é diretor da EGS Consultoria Empresarial e criador do SOS Dívidas (www.sosdividas.com.br).