A humanidade está passando por constantes mudanças profissionais e ajustamentos às novas necessidades e demandas sociais. Como ocorre nas organizações, a juventude também terá que se adaptar à cultura dos novos tempos, lembrando que, cada dia, nascem novas funções de trabalho e novas especializações. Os jovens de hoje e os profissionais de amanhã fazem parte das organizações globalizadas. Em face disso, as universidades sintonizadas com a realidade contemporânea estão oferecendo instrumentais e ferramentas intelectuais para a aprendizagem e sobrevivência nesses contextos. O jovem que não desejar desperdiçar esforços terá que aprender a selecionar a informação e o conhecimento de que necessita para crescer na carreira e na vida. Para isso, é fundamental aprender a aprender continuamente. O crescimento acelerado do acervo de novos conhecimentos exige criteriosa seletividade na escolha do que ensinar e do que aprender.
Tudo deve ser feito para que a pessoa possa ascender social, cultural e economicamente, com honestidade, criatividade e competência, em harmonia com as pessoas e a natureza. O que a sociedade e a humanidade condenam é ganhar dinheiro agredindo a ética, a moral e a degradação do meio ambiente. Aliás, alguma coisa precisa ser feita com urgência nesse particular. Os contravalores propagados, diariamente, pelas diferentes mídias demonstram a gravidade da situação mundial e o desrespeito à vida e ao planeta: aumento de 5,8ºC na temperatura e 3m no nível do mar, diminuição em 50% da produção de cereais, 50 países próximos do mar submersos, 5 bilhões de habitantes sem água potável em 2025.
Tudo isso acontecerá, se não forem tomadas medidas práticas. A realidade e as causas básicas desses perigos são conhecidas, mas falta visão de futuro dos responsáveis. O alerta é do físico Yoshiyuki Takagi, presidente da Network Earth Village, maior organização não governamental do Japão.
Comparado com outros países da América Latina, no momento, o Brasil necessita de um universo maior de bons profissionais e de líderes bem formados, cultos e éticos. Um diferencial da universidade é a sua contribuição na formação de alunos para a sensibilidade social e para a solidariedade. Conceitos e hábitos de cidadania são aprendidos, adquiridos e exercidos na prática em favor dos mais necessitados. Manter contato supervisionado com a pobreza, a miséria e a ignorância é oportunizar excelente experiência educacional. Os deserdados da sorte têm muito a ensinar, não só a receber. Nessa condição, podem ser parceiros da formação.
O jovem que visualiza horizontes coletivos, cultiva valores relevantes e capitaliza energias de forma sinérgica consegue atrair afetividade e efetividade social. Não basta ter boas idéias e intenções honestas. É essencial temperar as ações com qualidade e não esmorecer diante da primeira pedra encontrada no caminho. O crescimento pessoal e a segurança profissional dependem fortemente da ousadia, compartilhamento da ciência e da experiência, clareza de objetivos, argumentos e propósitos, abertura para participação e tomada de decisões, relacionamento cortês, mútua confiança entre os pares. Em suma, a boa formação educacional é uma combinação sinérgica de arte, técnica, habilidade, poder de convencimento, capacidade de exercer influência positiva.
Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.