O humorista e jornalista José Simão, colunista da Folha de S. Paulo e da rádio Band News, contou certa vez uma piada. Quando ainda se especulava que Fidel Castro deixaria o poder em Cuba, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou para o “comandante” e disse: “Tio, deixa eu tomar conta?”.

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Se o “tio” não deixou tomar conta de Cuba, Hugo Chávez está quase conseguindo fazer isso em seu país. Esta semana, o congresso nacional da Venezuela aprovou a realização de um referendo para a inclusão de uma emenda constitucional que permite reeleições indefinidas para todos os cargos eletivos do país – para isso, cinco artigos da Constituição “bolivariana” de 1999 seriam modificados. A votação acontecerá no dia 15 de fevereiro.

O resumo da ópera é o seguinte: caso o referendo passe, Hugo Chávez, com o poder da máquina pública e a popularidade nos grotões, tem chances imensas de conseguir ao menos mais um mandato como presidente da Venezuela. E, quem sabe, no próximo mandato ele mude de novo a Constituição e determine, enfim, que ele seja o presidente vitalício.

É isto, no fundo, que Hugo Chávez quer. Na mesma medida dos ditadores do continente, ele pretende se perpetuar no poder. E não parece ser para ajudar o paupérrimo povo venezuelano. Ele quer ser um “caudilho eterno”, tal como Fidel, tal como Perón quis ser na Argentina, tal como os generais foram na própria Argentina e no Brasil, como Stroessner foi no Paraguai e Pinochet no Chile. E será seguido, podem esperar, pelo boliviano Evo Morales e pelo equatoriano Rafael Correa.

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O importante, para Chávez, é ter poder e exercê-lo da forma mais tresloucada possível. É querer acabar com o “demônio do capitalismo”. É, no meio de uma reunião de cúpula de chefes de Estado, querer ganhar tudo no grito. É tomar atitudes beligerantes até mesmo em situações que não lhe dizem respeito, como o conflito no Oriente Médio. Enquanto isso, o povo da Venezuela passa fome e não vê os bilhões do petróleo serem revertidos no bem dos cidadãos.