“Enquanto os tucanos articulam para convencer o senador Osmar Dias (PDT) a concorrer ao Senado, novamente, nas eleições do próximo ano, os petistas intensificam os contatos com o pedetista para transformá-lo no candidato ao governo de uma composição que dê sustentação ao palanque da pré-candidatura à presidência da República da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no Paraná. Na última terça-feira, Osmar foi o convidado especial de um encontro coordenado pelo chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o paranaense Gilberto Carvalho, que apresentou ao pedetista o ponto de vista do presidente sobre a eleição no Paraná.”
Assim começou a matéria de maior destaque na edição de ontem de O Estado. A repórter Elizabete Castro relatou as tratativas entre PT e PDT para forçar o senador Osmar Dias a se candidatar ao governo do Estado e formar o palanque da ministra Dilma Rousseff no Estado. Após mais de 25 anos de vida pública (com notadamente dois momentos de destaque, os oito anos como secretário de Estado da Agricultura, e os quase quinze como senador da República), Osmar chegou ao seu momento decisivo como político.
Alguns podem dizer que Osmar já está no auge, e perdeu a eleição para o governo em 2006 por apenas 10 mil votos para o atual governador, Roberto Requião (PMDB). Mas, naquele momento, ele foi “ungido” por um grupo de oposição que contava com o apoio de praticamente todos os principais partidos – além do seu PDT, estavam DEM, PSDB, PPS e PSB, por exemplo. Agora, ao contrário, há outros candidatos com a mesma força (talvez até mais) que ele.
Um é o irmão de Osmar, o também senador Alvaro Dias (PSDB). Ex-governador, senador desde 1991, na metade do terceiro mandato na Câmara Alta, ele sabe que talvez esta seja a última chance de voltar ao Palácio Iguaçu. Conta com a simpatia de boa parte da executiva nacional do partido, e com uma boa dose de carisma – que ainda faz a diferença, principalmente nos grotões. Aposta na sua inclemente campanha para ser confirmado como candidato tucano, inclusive usando o fato de que, se sair mesmo para o governo, obrigará Osmar a renunciar.
Outro candidato potencial da turma das oposições é o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB). Popular, bom administrador e adorado pela cúpula tucana, Beto é hoje o favorito para ser o governador a partir de 2011, apontam as pesquisas. Por conta disso, a maioria dos tucanos nativos já faz campanha aberta por ele, e tenta convencer Osmar a abdicar da própria candidatura em nome de um projeto comum – que levaria o senador a tentar a reeleição.
No meio desta história entra o governo federal, que no Paraná tem ligação forte com Roberto Requião. Mas PT e PMDB não têm, no momento, um postulante forte ao Palácio Iguaçu. Nem o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, nem o vice-governador do Estado, Orlando Pessuti, surgem como nomes que ameacem as pretensões de Beto, Alvaro e até mesmo Osmar. E pela boa relação do presidente Lula com Osmar Dias, a ideia petista é atrair o senador para o “lado vermelho da força”. O presidente está pronto para agir no Paraná, tentando promover um armistício entre o governador e o senador pedetista, que quase se atracaram na última eleição.
E é agora que Osmar terá que se decidir. Terá que tomar uma atitude logo. E consciente de que, qualquer decisão que tome terá influência direta em seu futuro político. Ser candidato agora é mostrar que tem controle sobre a própria carreira. Só precisará saber qual lado vai optar – se naquele em que é mais um entre iguais, ou onde será recebido de braços abertos pelos desiguais. Se demorar, pode acabar parado no meio do caminho, e com uma carreira em lépida descendente.