O mundo está à beira de um ataque de nervos. Cada analista econômico parece estar vivendo a antiga música de Jackson do Pandeiro, Vou ter um troço. Um olha para o outro e cantarola: “Me segura que eu vou ter um troço, oi”. Cada medida tomada pelos países afetados pela crise econômica é seguida por novo momento de nervosismo, alguns assustadores como a onda negativa da segunda-feira, que levou pânico ao mercado brasileiro e obrigou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a irem a público garantirem que o Brasil vai resistir à tormenta.

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Hoje, infelizmente, ninguém sabe se isto é realmente verdade. A situação é tão catastrófica que nada parece debelar a crise. Os países ditos “emergentes”, que estavam surgindo como sustentáculos de uma recuperação a médio prazo, estão sendo atingidos em cheio nos seus dois principais pontos de força – a obtenção de crédito e a capacidade de endividamento para futuros investimentos. Sem isso, quem tem dinheiro foge para locais mais “seguros”, mesmo que eles não existam atualmente.

Mas antes o dinheiro guardado em sólidas instituições internacionais que na suscetível, na visão deles, economia brasileira. Daí as quedas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a falta de confiança e os sobressaltos dos governos e das principais empresas brasileiras.

Por mais paradoxal que possa parecer, nesse momento de loucura é hora de ter paciência. Os principais especialistas deixam claro que a crise de credibilidade dos países emergentes está diretamente ligada à redução do preço das commodities (o petróleo, por exemplo, que chegou a estar cotado a 150 dólares, agora mal passa dos 80). Quando estes valores voltarem a subir, o Brasil voltará a ser interessante para os investidores. E isto deve acontecer quando o inverno chegar no Hemisfério Norte -quer dizer, na China, onde o consumo cresce a cada dia.

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Nunca pedimos tanto para o tempo passar e o frio surgir no horizonte. Só assim para sair desta fria.