Hora da coragem

Foram ações e reações fortes. Primeiro, a dos deputados estaduais, propondo emendas para o projeto do governo do Paraná que prevê aumento de 6% para os servidores públicos. Depois, a do governador Roberto Requião (PMDB), que ameaçou represálias aos descontentes da base aliada. Mais tarde, a garantia dos parlamentares em manter as emendas. E, finalmente, um recuo em bloco dos “rebeldes” que frustrou a sociedade.

Um dos retratos deste recuo foi o do deputado Mauro Moraes (PMDB). Um dos mais combativos da Assembleia Legislativa, ele nunca se curvou à liderança impositiva do mandatário do Palácio das Araucárias, apoiando quando achava justo, manifestando contrariedade quando achava necessário. Assim, mantinha uma independência que o colocava na vanguarda do parlamento.

Mas o medo de perder o mandato de deputado estadual falou mais alto. A repórter Elizabete Castro, na edição de ontem de O Estado, explicou: “Ou você obedece ou perde o mandato, disse Moraes, argumentando que está sem saída depois que a bancada do PMDB fechou questão para aprovar a mensagem do governo, sem nenhuma mudança. Em consulta ao seu advogado, Moraes foi informado que se desrespeitar a decisão da bancada, fica sujeito à perda do mandato. É cassação líquida e certa, o advogado me disse. Porque o mandato é do partido, afirmou o deputado, que disse já não se sentir confortável no PMDB, onde exerceu três mandatos de vereador e o atual de deputado”.

Há duas visões desta história. A primeira é a puramente legal. No momento em que o político se filia a um determinado partido, ele deve seguir as orientações dos líderes. Afinal, se está ali é porque comunga das mesmas ideias, professa a mesma filosofia. Então, mesmo com possíveis (e pequenas) divergências, em momentos de decisão não há receios em apoiar a decisão dos líderes.

Mas há a outra visão, a da coragem. E é hora de ter coragem. Se Mauro Moraes quer manter sua independência e sua respeitabilidade, que mantenha a emenda, que sofra um processo de afastamento e encare as consequências. Os ganhos serão muito maiores que as perdas.

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