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Não há quem não tenha se sensibilizado com a derrota da seleção brasileira de futebol feminino na final dos Jogos Olímpicos de Pequim, na última quinta-feira, para os Estados Unidos. As norte-americanas, agora tricampeãs olímpicas, venceram por 1×0, com um gol marcado na prorrogação. Nossas meninas, melhores tecnicamente, foram vencidas pela falta de preparo físico, pela falta de condições emocionais e pela inferioridade tática. Em resumo, por não terem a estrutura necessária.

Você conhece o futebol feminino brasileiro? Nem as jogadoras conhecem. O que há é um arremedo de organização por parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), já notória em apenas se preocupar em aproveitar o talento que temos e transformar em dinheiro – que não sabemos qual é o destino. Os clubes praticamente inexistem, as federações desprezam, e só há um campeonato regular, em São Paulo. De resto, nada.

As meninas que sonham com uma carreira têm que abandonar a família e arriscar a vida fora do Brasil. Marta e Cristiane, as duas melhores jogadoras do mundo, estão atuando há tempos na Europa, onde há torneios organizados e salários dignos. Mas não há mercado para todas, apesar de grande parte da seleção que esteve em Pequim estar longe do País.

E como em qualquer mercado de trabalho, só as melhores podem contar com os bons salários. Outras jogadoras, que ficam no Brasil, ou largam o esporte ou trabalham em meio período para sustentar as famílias – já que o futebol dá um provento irregular e incerto. E, assim como a maioria dos jogadores homens, as meninas do futebol vêm de famílias de baixíssima renda, que dependem dos filhos adultos para o sustento de todos os outros.

Isso fica pelo caminho quando analisamos puramente o espetáculo do futebol. Não se pode exigir mais destas meninas, heroínas sem ouro. Marta e suas companheiras são vítimas da exclusão que sofrem desde crianças. Hoje, elas encaram partidas diárias pela sobrevivência – só interrompidas quando entram em campo pela seleção brasileira.

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