Gandhi começou uma das maiores revoluções dos tempos modernos com uma greve de fome e com o escudo da não-violência, levando o continente da Índia à independência. Será que o nosso bispo de Cabrobó deu início a uma mudança no país do PT, mostrando a ele que não é o dono da verdade? Será que o governo do PT vai admitir que não é com mensalão, mensalinho, caixa 2 e outros mecanismos de pressão que se administra um país?
Só para lembrar: Collor foi expurgado do governo e da vida política do País por causa de um Fiat Elba, parte da grande roubalheira de sua caterva. Collor confiscou o dinheiro do povo, chamou a indústria de automóveis de fabricante de carroças, enquanto vendia o País para o exterior. FHC não foi diferente: vendeu o que o Brasil tinha de melhor, fez tudo que o FMI mandou, implantou a privataria, mas infelizmente o povo não se apercebeu e o reelegeu.
Lula da Silva, torneiro mecânico, elegeu-se para mudar tudo quanto de ruim Collor e FHC fizeram, porém só fez lambança até agora. Ao confessar que suas promessas de campanha eram bravatas ou trapaças, apequenou-se. Ao aceitar como ideal o legado do Estado de Collor e FHC, inviabilizou-se. No INSS, que nos interessa de perto, a maior seguradora da América Latina e que há 82 anos paga em dia seus compromissos sociais, apesar dos saques de todos os governos republicanos, fez mais uma reforma para reduzir o déficit, que no seu governo baterá os R$ 140 bilhões, taxou em 11% os inativos tornando o Brasil o único país do mundo a exigir que aposentado pague previdência, manteve o Fator Previdenciário, retardando e diminuindo as aposentadorias dos segurados, não cobrou os devedores, não combateu a sonegação, que alcançará R$ 120 bilhões, livrou os caloteiros da cadeia e os premiou com mais benefícios para não pagar as dívidas, ampliou as renúncias previdenciárias, que beirarão os R$ 50 bilhões.
Prometeu revisar todas as aposentadorias, pois quem pagou para se aposentar com 10 salários mínimos só recebe sete, mandou recadastrar velhinhos com mais de 90 anos para que provassem que estavam vivos, prometeu pagar os passivos e já agora, na calada da noite, conspirou para não pagar os pequenos valores; prometeu acabar com as fraudes, mas transformou a Dataprev em queijo suíço e o INSS numa peneira de grandes furos, entregou o ministério e o INSS a alguns dirigentes incapazes e desqualificados, manteve as filas nos postos do INSS, gerando indignação e favorecendo a ineficiência.
Efetivou, depois de 83 anos, o desmanche do INSS, mesmo sabedor que o dinheiro da previdência não é imposto mas contribuição, tendo, portanto, CIC, RG e dono, o segurado do INSS; acabou com a procuradoria e transferiu todos os procuradores concursados e treinados para cobrar dívidas para a AGU, acabou com arrecadação e fiscalização do INSS e transferiu todos os auditores fiscais para a Receita Federal, criando o Receitão com o único intuito de fazer caixa único, leia-se, meter a mão no dinheiro dos segurados e aposentados e pensionistas; prejudicou o serviço do INSS em sua atividade fim, de conceder e pagar benefícios, ao mandar mais de 2.500 servidores da concessão de benefícios para a Receita Federal.
Por último, o atual ministro, que nunca ouviu falar de previdência, anunciou um novo recadastramento e resolveu dar mais um dinheirinho aos bancos, pagando R$ 7,50 por atualização cadastral. Os servidores do INSS serviram no passado, de graça, para o maior recadastramento já feito, em 1992, o dos rurais, que resultou em mais de cinco milhões de expurgos da folha do INSS. Se o ministro quiser informações sobre como foi feita a Revisão dos Rurais, a Anasps as repassará.
Acredito que o bispo de Cabrobó, nosso Gandhi, poderia salvar nossa previdência, se novamente entrasse em greve, se não fizerem com ele o mesmo que fizeram com a velhinha do Veríssimo. Mataram-na.
Paulo César de Souza é vice-presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência Social (Anasps).