A sucessão presidencial marcada para outubro de 2010, que tudo indica será polarizada pelos candidatos da situação, Dilma Rousseff, e da oposição, José Serra, apresenta do lado da aliança governista, especialmente nos gabinetes mais importantes do Palácio do Planalto, uma complicação já esperada que, entretanto, pode enveredar para um desfecho indesejável.

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A preocupação é tanta que os senadores peemedebistas fizeram chegar aos ouvidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na casa vizinha, a Câmara dos Deputados, a bancada partidária emite sinais afirmativos da propensão de apoiar a candidatura do governador paulista, José Serra, ao invés de fechar com a proposta do governo. No Senado, onde a bancada do PMDB segue a orientação política do senador José Sarney, com as raras divergências sem cacife para mudar a situação, não haverá problemas em apoiar a candidatura da ministra Dilma Rousseff. Contudo, o panorama difere na Câmara, sobretudo pelo peso conjuntural dos diretórios regionais de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco, que mais de uma vez patentearam a dificuldade de aderir a uma chapa liderada pelo Partido dos Trabalhadores.

O controle do partido em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, está nas mãos do ex-governador Orestes Quércia, último candidato da legenda à presidência da República, em 1994. Ninguém acredita que o partido esteja disposto a repetir a aventura malsucedida, preferindo manter-se na posição ambígua de coadjuvante disputado tanto pela aliança governista quanto pela oposição.

Dessa forma, a vice-presidência, em quaisquer circunstâncias, significaria para a direção partidária a consolidação da estratégia que mais agrada o PMDB controlado por uma frente heterogênea integrada por “líderes” tão díspares quanto Sarney, Renan, Geddel, Jucá, Temer e Quércia, entre outros, que reinam absolutos sobre o baixo clero fisiológico.

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Na última eleição municipal em São Paulo, Quércia aliou-se ao governador José Serra (PSDB) no apoio ao democrata Gilberto Kassab, e dessa conjunção resultou a exuberante reeleição do substituto do próprio Serra na prefeitura paulistana. O acordo, no entanto, foi selado com vistas às próximas eleições gerais, quando Quércia vai receber a contrapartida de tucanos e democratas na disputa por uma cadeira no Senado, além de ter lugar cativo nos palanques de Serra na campanha presidencial.

Daí a pensar que a coligação poderia ganhar abrangência nacional, passou a ser a peça de resistência da poderosa engrenagem da política paulista na concepção duma frente capaz de levar à lona a candidata da base governista. É claro que nem todos os diretórios regionais do PMDB atenderiam a hipotética convocação de São Paulo, sendo os exemplos mais explícitos os do Rio de Janeiro e da Bahia. Diante disso, não se descarta a probabilidade do PMDB dividir-se entre Dilma Rousseff e José Serra, embora poucos consigam imaginar a dimensão da catástrofe que haverá de desabar sobre o partido depois das eleições.

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O deputado Michel Temer, numa provocativa sugestão do senador Renan Calheiros (AL) com a intenção declarada de alfinetar o também oferecido ministro Geddel Vieira Lima, foi indicado para ser candidato a vice-presidente na chapa governista. O problema é que ele teve uma eleição problemática em São Paulo e somente retornou à Câmara na última vaga destinada ao partido. Assim, o presidente da executiva nacional do PMDB reluta assumir uma posição contrária ao governador José Serra, tendo em vista que o controle do partido pertence ao ex-governador Quércia. Além disso, Geddel e o governador fluminense Sérgio Cabral Filho também estão no páreo, não havendo a menor surpresa se, na hora undécima, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) despontar como solução natural para assegurar com seus confortáveis índices de intenção de votos, inegável pujança à chapa liderada pela ministra-chefe da Casa Civil. O jogo está apenas começando.