Fracasso no futebol

Vivemos um período de recuperação da crise econômica. Nossa agricultura é pujante, nossos resultados na balança comercial são expressivos, nossos políticos (acima de qualquer tendência ideológica) estão na vanguarda, respeitados em todo o País. É possível dizer que o Paraná está em alta. Só falta um detalhe. Detalhe em tese desinteressante ou desimportante, mas que afeta a sociedade – afinal, é a maior expressão social do Brasil, é o reflexo em menor escala de nossos anseios e frustrações. Este detalhe é o futebol.

O final de semana que passou foi marcado por um retumbante fracasso de nossas principais equipes, Atlético e Coritiba, que disputam a primeira divisão do campeonato brasileiro. Sábado à noite, em São Paulo, o Coritiba se acovardou diante do Corinthians em um estádio (Pacaembu) vazio. Com medo de agredir o adversário, preferindo defender a atacar, o Coxa foi presa fácil de uma equipe que não contava com o único jogador do futebol nacional capaz de desequilibrar uma partida, o “fenômeno” Ronaldo. Perdeu por 2×0 e poderia ter sido por mais – o goleiro Vanderlei se destacou ao defender diversos lances de perigo dos donos da casa.

Se parecia que o Coritiba tinha dado um grande vexame, o domingo mostrou que o Atlético seria capaz de envergonhar ainda mais sua torcida. Um time repleto de jovens inexperientes foi acuado pelo Atlético-MG, time que não tem nível para fazer o que fez em pleno estádio Joaquim Américo, a Arena da Baixada, que vai receber jogos da Copa do Mundo em 2014. Foi uma goleada, 4×0 para o chamado “Galo das Alterosas”. E também poderia ter sido mais, poderia ter sido a maior vergonha da história recente do Furacão – apesar de ter passado perto. Após a partida, emocionado, o técnico Geninho pediu demissão, alegando que “um fato novo” poderia recuperar o time.

Na verdade, estamos fartos de “fatos novos”. O futebol paranaense, que viveu profunda transformação nos últimos 25 anos, parece ter estagnado. Do título brasileiro conquistado pelo Coritiba, em 1985, até o conquistado pelo Atlético, em 2001, tivemos mais quatro conquistas nacionais (dois títulos da Série B com o Paraná e um com o Atlético, e uma terceira divisão com o Malutrom, que virou J. Malucelli, que virou Corinthians Paranaense). Além disso, o Atlético foi vice-campeão brasileiro e da Copa Libertadores e o Coritiba conquistou a segunda divisão no ano retrasado.

Só que todo esse avanço foi destroçado em pouquíssimo tempo. Principalmente pela má gestão dos dirigentes, que se preocupam com “perfumarias” e esquecem do futebol – além de olharem muito para o patrimônio e relegarem, ora veja, o time para segundo plano. Mas também temos problemas sérios nos departamentos de futebol, reféns de empresários que não têm a menor preocupação com o sucesso das equipes, e sim com o dinheiro que jorra em suas contas a cada mês.

Muitos, hoje, manifestam-se convencidos de que não há salvação. Alguns, posando de donos da verdade, afirmam que já haviam avisado que o fracasso era iminente. Agora, isto é o que menos interessa. O que torcedores, imprensa, dirigentes, técnicos e jogadores precisam é pensar em como salvar a temporada paranaense na primeira divisão do campeonato brasileiro. É preciso investir, é imperioso ousar nas contratações. Que o marketing não seja a estrela, e sim a forma como nossos clubes vão se aproximar do público. Que o discurso perca espaço, que as ações sejam a norma. Que esqueçam das bobagens, que fiquem focados no que realmente interessa. Se os acertos acontecerem, todos estão apoiando – menos aqueles que apostam no fracasso para levar vantagem.

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