Fazendo as contas

Os peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil tiveram uma noite de muito trabalho na segunda-feira. Foram até o local da tragédia que matou dois jovens em um acidente protagonizado pelo ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho para tentar entender as circunstâncias do fato. A principal pergunta é a seguinte: qual era a real velocidade do Passat alemão do político no momento em que se chocou com o Honda Fit que levava os garotos Carlos Murilo e Gilmar Rafael?

A repórter Giselle Ulbrich, na edição de ontem de O Estado, relatou que ainda não há resposta: “Mais ou menos que 190 quilômetros por hora? Essa foi a única pergunta que os peritos criminais preferiram não responder. Porém, foi apurado que o Passat de Carli Filho atingiu o Honda Fit dos jovens a meio metro do chão e estava a mais de 120 quilômetros por hora. Os peritos, coordenados pelo chefe da Divisão Técnica do Interior, do Instituto de Criminalística, Marco Aurélio Pimpão, optaram por refazer seus cálculos, antes de dar o valor exato. A informação deve ser divulgada assim que os laudos forem concluídos e entregues à polícia”.

Avaliando as informações já conseguidas pelos peritos, antes mesmo das contas serem refeitas, é possível confirmar, definitivamente, o terrível risco em que o ex-deputado estadual colocou todos os outros motoristas que transitavam pelo bairro Mossunguê naquele momento – desafortunadamente, dois meninos acabaram perdendo a vida.

O deputado, até onde se sabe, estava sob efeito de bebidas alcoólicas. Corria, talvez, sem ter a noção da velocidade em que estava. Em um aclive, seu Passat “alçou voo” e atingiu o carro dirigido por Gilmar Rafael quando estava a meio metro do chão. Acertou, portanto, o veículo dos jovens em cheio, causando ferimentos horríveis nos meninos, que morreram na hora. Tudo isto já pode se concluir das informações dos peritos.

Se foi a 120, 150 ou 190 quilômetros por hora (parece até a antiga canção de Roberto Carlos), pouco importa para os familiares dos meninos mortos. Eles esperam, na verdade, que justiça seja feita. E nós também.

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