Excelente notícia para os consumidores. A inflação nos preços dos derivados de trigo começará a declinar dentro de mais algumas semanas, quando a atual produção estiver sendo colocada no mercado. A demanda aquecida e os preços altos estimularam a produção do cereal e, pela primeira vez nos últimos três anos a oferta será suficiente para atender mais da metade do consumo nacional. A previsão é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), autarquia subordinada ao Ministério da Agricultura, que calculou a safra de trigo em 5,42 milhões de toneladas, ou 42% a mais que os 3,82 milhões de toneladas produzidas em 2007.
Predominante na região centro-sul por se tratar de um cultivo de inverno, a área plantada de trigo cresceu em 30% e cobriu 2,36 milhões de hectares. Também a produtividade das lavouras, o grande diferencial derivado do avanço tecnológico do setor agrícola, tem sua expansão estimada em 9,5%.
Exatamente pelo ótimo desenvolvimento do plantio de trigo nesse inverno, até aqui favorecido por condições climáticas consideradas ideais, a Conab pode anunciar que a safra nacional de grãos, fibras e cereais chegará a 143,7 milhões de toneladas e quebrará o recorde anterior registrado no ano agrícola 2006/07, quando a colheita final alcançou 131,7 milhões de toneladas. O resultado global é resultante do aumento médio de 6,7% na produtividade das lavouras, distribuídas em 47,2 milhões de hectares. O clima propício e a alta do preço de commodities agrícolas, segundo os técnicos, foi fator determinante para a anexação de mais de um milhão de hectares ao planejamento original.
O gerente de Levantamento e Avaliação de Safras da Conab, Eledon Pereira de Oliveira, enfatizou que “os números ainda podem sofrer uma pequena alteração, mas isso será residual. O recorde está consolidado”. O dado mais importante a registrar é que a expansão da colheita terá reflexos reais, a curto e médio prazos, no bolso dos consumidores, tendo em vista a tendência baixista de preços nas gôndolas quando a nova safra estiver disponível nos pontos de comercialização. Um exemplo é a produção de feijão, que mesmo sofrendo uma frustração de 20% na primeira safra causada pelos efeitos da estiagem, conseguiu uma elevação de 6% em relação à temporada anterior. Na safra atual a colheita de feijão está estimada em 3,5 milhões de toneladas, incluindo a segunda safra de 1,47 milhão de toneladas já inteiramente colhida. Há ainda a terceira safra estimada em 821,6 mil toneladas, cuja colheita começou em julho e seguirá até setembro.
Não haverá problemas no abastecimento interno desse alimento indispensável no cardápio diário das famílias brasileiras, porquanto os estoques disponíveis serão os maiores desde 1999/2000. A mesma perspectiva otimista existe em torno da produção de arroz, que na safra atual está estimada em 12,1 milhões de toneladas. Nesse particular, porém, o governo terá de providenciar a importação da diferença para garantir o consumo interno calculado em 13 milhões de toneladas. De acordo com a Conab os estoques de arroz são os mais baixos dos últimos nove anos.
Mais uma vez as estrelas da safra foram a soja e o milho, que juntos serão responsáveis por 83% do total colhido no País, batendo um impressionante recorde. A produção de soja avançou 3% em comparação ao ciclo anterior e rompeu uma barreira histórica, devendo chegar a 60,07 milhões de toneladas, com um aumento em termos físicos de 1,7 milhão de toneladas. A produção de milho também apresentou desempenho admirável, crescendo em torno de 14% e contabilizando 58,46 milhões de toneladas. Contudo, nenhum outro produto jamais teve acréscimo tão expressivo quanto o do milho na última safra: 7,1 milhões de toneladas. Esta ficará como uma das marcas mais retumbantes da história da agricultura brasileira. Prova que bons preços, clima favorável e pouca interferência governamental são os melhores nutrientes para a fatura do campo.