Oportuna a conversa do repórter Roger Pereira (na edição de sábado de O Estado) com o prefeito reeleito de Paranaguá, José Baka Filho (PDT), que toma posse de seu segundo mandato na quinta-feira. Mais que em outros municípios do mesmo porte, a antiga capital do Paraná depende sobremaneira do governo estadual, que administra o porto de Paranaguá. E se não há interesse público em ajudar a cidade, o prefeito tem seu trabalho muito prejudicado.
É importante o registro pelo fato de Paranaguá ser uma cidade de porte médio no Estado, menor, por exemplo, que Foz do Iguaçu, Cascavel e Ponta Grossa. Essas, ainda, têm a vantagem de arrecadarem impostos com a iniciativa privada, as empresas instaladas nas localidades, o que permite ter maior autonomia e independência do poder central.
A cidade litorânea, entretanto, fica muito vinculada à Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), que exerce praticamente um “poder paralelo” – claro que não há interesse em transpassar o Executivo municipal, mas as decisões de investimentos e interesses do porto fazem toda a diferença na cidade. E uma administração comandada por oposicionistas ao mandatário do Palácio das Araucárias (como é José Baka Filho) acaba correndo risco de sofrer represálias.
E é essa mesma a preocupação do prefeito reeleito de Paranaguá. “Falta um relacionamento mais profissional com a administração do Porto de Paranaguá e com o governo do Estado. Até porque o porto não paga o ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) para a prefeitura. Todos os outros portos do Brasil pagam. O porto de Paranaguá parou de pagar em janeiro de 2005, quando eu assumi”, disse Baka Filho ao repórter Roger Pereira.
E não é assim que se faz a relação protocolar entre um governador e um prefeito. Paranaguá, além de sua importância estratégica, é o berço do Estado e ponto de partida de nosso litoral. Dar atenção à cidade é demonstrar preocupação com toda a região litorânea. E isto, infelizmente, está faltando nos últimos cinco anos.