Faltam professores

Como fica a nossa educação? Ontem, neste mesmo espaço, discutimos a ausência de políticas públicas para a infância e para a adolescência. Nas páginas do mesmo O Estado de ontem, outra notícia que entristece a sociedade. Informa a repórter Luciana Cristo: “Faltam pelo menos 246 mil professores nas redes públicas da educação básica em todo o País, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)”.

Não estamos falando nos estratos mais avançados da educação – onde até há pouco faltavam docentes com mestrado e doutorado para trabalhar nas universidades. Estamos falando da base da pirâmide, da educação fundamental, do pilar que sustenta toda a nossa sociedade. É do preparo dos jovens que se obtém uma nação mais forte e desenvolvida. E, como constatado em outras oportunidades e reforçado agora, não estamos nos preocupando com isso.

Há um motivo muito claro para a ausência de professores no mercado – principalmente no setor público. É a queda brutal dos salários dos docentes. Não que tivéssemos no passado bons valores sendo oferecidos, mas é que agora não é nem digno o salário que eles recebem. Para quem quiser dar aulas em escolas públicas, o salário mal chega a 600 ou 700 reais.

A Secretaria Estadual de Educação promete para o ano que vem um piso de 950 reais para quem trabalhar 40 horas, com nível médio e licenciatura plena. Para conseguir esta carga horária, um professor precisa trabalhar por dois períodos cheios (manhã e tarde, ou manhã e noite, ou tarde e noite – à noite com o adicional, claro). E um salário deste, pouco mais de dois mínimos, não consegue sustentar dignamente uma família.

Daí as escolhas dos recém-formados, que não pensam em lecionar e sim em arranjar empregos no setor produtivo. E este círculo vicioso cada vez mais prejudica o ensino, e prejudica os estudantes, e prejudica os próprios professores, e prejudica as famílias que direta ou indiretamente dependem das escolas. E prejudica, principalmente, o Brasil.

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