O número positivo das vendas do comércio no mês de janeiro foi comemorado pelo governo e pelos empresários. Havia o risco de um período negro, que se estenderia pelos meses seguintes, reforçando a possibilidade de um ano complicado para os comerciantes – e, por tabela, para a indústria, que veria sua produção diminuir pela queda na procura.

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Mas o que parecia ser bom tem um lado ruim. E ele foi escancarado nesta semana. O texto da Agência Estado explica: “A inadimplência no crédito concedido pelas instituições financeiras subiu de 4,4% em dezembro de 2008 para 4,6% em janeiro deste ano, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC). Esse é o maior nível registrado desde agosto de 2007, quando a inadimplência média ficou em 4,7%. O aumento foi liderado pelo segmento das pessoas físicas, cuja parcela das operações com atraso superior a 90 dias subiu de 8% para 8,3%. Segundo as séries históricas do BC, esse é o maior nível de inadimplência com operações de pessoas físicas desde maio de 2002, quando o percentual era de 8,4%”.

Pois é. Os consumidores atenderam os apelos e compraram –  eletrodomésticos, móveis, apartamentos, casas, terrenos, automóveis. Mantiveram o nível de vendas e de produção, trabalharam pelo País contra a crise. Fizeram o que muitos empresários e gestores públicos não fizeram.

Mas só os consumidores não resolveriam. O desemprego aumentou, o salário médio diminuiu, as dívidas aumentaram e faltaram fundos. Quando isto acontece, somos iguais aos governos pagamos as dívidas que vencem primeiro; depois, pagamos o que podemos; por fim, pagamos o inadiável.

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O resumo da ópera é a inadimplência, inevitável em tempos de crise. Afinal, por mais que as empresas chiem, que os governos lamentem, que os comerciantes gritem e que os banqueiros chorem, quem sofre mesmo com o vendaval econômicos somos nós, os consumidores. Os preços aumentam (e quando baixam, não temos condições de comprar), somos forçados a fazer empréstimos ou financiamentos e, no final das contas, não pagamos. E, além de devedores, viramos “culpados” da crise.