Não há quem não admita que os Estados Unidos vivem uma grave crise. Para alguns, é a maior desde a Grande Depressão de 1929. Nem mesmo o “crash” da bolsa em 1987 pode ser comparado com a tremenda dificuldade que os norte-americanos estão vivendo. As últimas projeções dos analistas apontam para deflação, recessão, retração da economia e aumento considerável do desemprego (para mais do dobro dos padrões normais no país).
O setor que mais sofre – e é assim desde sempre – com a desaceleração da economia dos Estados Unidos é o automotivo. A crise quase eterna das montadoras teve início nos anos 80, com o aumento do valor da mão-de-obra (com os salários crescendo e a forte presença dos sindicatos) local e a comparativa redução em outros mercados, principalmente o Japão, que inundou a América com seus Hondas e Toyotas, prejudicando as vendas de Ford, General Motors e Chrysler.
Com o aumento considerável das importações, ficou ainda mais difícil a vida das gigantes. A crise financeira, que está arrebentando com a economia norte-americana, deixou as montadoras na mão. Segundo os dirigentes da GM, no atual ritmo de queda de produção e consumo, a empresa resiste apenas mais seis meses. Para Ford e Chrysler, a tendência é semelhante. Por isso, os três “chief executive officer” (CEO) das empresas foram ao Congresso pedir ajuda.
Mas eles cometeram um erro crasso, para o orçamento das montadoras e para o apoio popular às possíveis medidas. Foram de Detroit para Washington de jatinho, fretado e com o custo de vinte mil dólares por pessoa. É como se um governador de Estado fosse a Brasília pedir o rolamento das dívidas públicas indo de jatinho com vinte convidados, todos à custa do erário.
Pegou muito mal, e os executivos tiveram que se explicar para os congressistas e para a imprensa, que conseguiu as imagens através de cinegrafistas amadores. Eles agora terão que lutar ainda mais pela ajuda financeira, e caso não consigam serão os primeiros a sofrer com a redução de empregos na indústria automobilística.