Pode haver mudanças repentinas originárias da crise financeira, mas 73,8% dos consumidores se declararam propensos a comprar bens de consumo duráveis e semiduráveis nos últimos dois meses e meio desse ano. A disposição de comprar admitida pela maioria maciça dos consumidores está consignada no estudo divulgado pelo Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar-FIA), sediado em São Paulo.

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Em comparação com o mesmo período do ano passado a pesquisa registrava que a intenção de comprar foi manifestada por 61,8% dos consumidores entrevistados, numa época em que o estímulo às compras não foi afetado por nenhum tipo de empecilho. O quadro atual confirma, em primeiro lugar, que a maioria dos consumidores provavelmente fez um plano de poupança para investir agora na aquisição de bens duráveis, ou tem capacidade de endividamento para assumir compromissos financeiros, apesar das incertezas que ainda perduram no mercado.

Tanto que as instituições do setor de comércio de praça superlativa como a capital paulista, estimam um crescimento de vendas fixado, pelo menos, no mesmo patamar do ano passado (9,5%). Segundo estudos anteriores do Provar-FIA, a média de expansão de vendas puxadas pelos festejos natalinos tem-se mantido entre 8% e 10%. Por sua vez, a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), revelou por intermédio do assessor econômico Altamiro Carvalho, estar confiante na repetição do movimento de compras verificado no último trimestre do ano passado. Carvalho asseverou que o consumidor não sente no curto prazo efeitos negativos da crise financeira, cuja contaminação demora algum tempo para se instalar.

Contudo, o setor de exportações já se mostra apreensivo com os números finais do presente exercício, pois nem a recente valorização do dólar norte-americano poderá compensar os prováveis prejuízos determinados pelo aceleramento da crise sobre o comércio internacional. Os reflexos da crise certamente terão impacto em sentido inverso ao ritmo das exportações, tornando difícil a realização da meta de exportações projetada para 2008 (US$ 200 bilhões), em mercadorias embarcadas para o mercado externo.

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Para Benedito Moreira, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) além do dólar valorizado, a necessidade fundamental do exportador é poder trabalhar com um mercado aquecido nos outros países. Moreira, um experiente conhecedor das variáveis recorrentes do comércio exterior, afirmou ainda que a severidade da crise financeira mostra a direção de um superávit comercial menor para o Brasil. Segundo cálculos do governo, sem crise o saldo poderia chegar a US$ 20 bilhões, mas os números estão sendo revisados para baixo, devendo se situar entre US$ 12 bilhões e US$ 10 bilhões. Diante disso, o executivo afirma que esse valor não será suficiente para cobrir o total de encargos provenientes dos serviços e da renda, de modo que “ficaremos com a balança de pagamentos no vermelho”.

Quanto à expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, os efeitos da desaceleração da economia globalizada contribuem para a formulação de uma estimativa pessimista de crescimento econômico entre 3% e 3,5%.

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Há quem aposte num índice ainda menos expressivo (2%), com base na suposta incapacidade do mercado contornar a turbulência, mesmo com a liberação de recursos por parte dos governos dos Estados Unidos e União Européia. Assim, um desfecho aceitável para o Brasil seria o índice de crescimento de 3,5% da economia no próximo ano, como prescreve a banda moderada. Na verdade, poucos ousam antecipar prognósticos arrojados, à vista do acúmulo de nuvens carregadas no horizonte. Valeu mais uma vez a experiência de Benedito Moreira, mesmo que a aplicação imediata seja restrita às exportações: “Qualquer projeção hoje é chutômetro”.