Na edição de domingo de O Estado, o repórter Roger Pereira tratou dos assuntos do PT. Um deles é a sucessão no partido, que deve ter bate-chapa entre o secretário do Planejamento, Ênio Verri, e o deputado estadual Tadeu Veneri. Outro tema, que inclusive foi o principal assunto da reunião do diretório estadual no sábado, foi a negociação com o PMDB para a eleição de 2010.
O repórter relatou a reação da presidente do partido no Paraná, Gleisi Hoffmann: “Durante a reunião do diretório estadual do partido para a discussão do processo de eleições internas, Gleisi comentou o fato de os principais partidos com quem o PT mantém diálogo (PDT e PMDB) também manterem as portas abertas com o PSDB. ‘É ruim, é lamentável. Principalmente o PMDB, com quem sempre estivemos juntos. Isso (aliança com os tucanos) não combina com o PMDB do Paraná’, afirmou, também cobrando o PDT. ‘E o PDT está no governo federal. Tem que ter coerência’, lembrou”.
Bem, Gleisi Hoffmann terá que esperar bastante. Se ela quer coerência, vai ser difícil vê-la no PMDB liderado pelo governador Roberto Requião. Afinal, tudo que interessa ao governador é apenas a eleição dele próprio para o Senado – é verdade que Requião terá também parte da sua atenção para tentar eleger o próprio sobrinho (João Arruda) deputado. O resto pouco vale, seja a eleição para governador, seja para presidente.
O PT tem razões para querer o apoio do PMDB. Apesar das defecções dos últimos meses, o partido ainda é o mais estruturado no Estado, e será um acréscimo muito importante à candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência da República. O problema é como virá essa ajuda. Será que, na primeira dificuldade da ministra, o governador e sua trupe não vão deixar os petistas (e provavelmente Osmar Dias) na mão?
É só lembrar como foi o segundo turno da eleição em 2006. Requião começou arrastando a asa para Geraldo Alckmin, mas ao perceber a vitória certa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou correndo para as hostes do PT. É deste político que Gleisi Hoffmann agora quer coerência.