Euforia do mercado

De sexta para ontem saímos da depressão completa para a euforia desmedida. Em apenas dois dias, a Bolsa de Valores de São Paulo recuperou metade das perdas acumuladas em duas semanas de crise econômica. O dólar, que tinha subido consideravelmente, teve queda acentuada e se reaproximou da marca de R$ 2,00 (fechou ontem a R$ 2,10). E o que aconteceu?

Tal como nas semanas de desespero, as boas notícias impulsionaram o mercado e a recuperação só não foi maior porque dados corporativos desfavoráveis vieram dos Estados Unidos. Mesmo assim, a Bovespa fechou ontem com alta de 1,81%, com um volume negociado de R$ 6,5 bilhões. Nada se compararmos com a incrível marca do índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, que ontem subiu 14,1%, e do Merval, de Buenos Aires, com 11% de subida.

Mas a rápida recuperação dos mercados indica uma “acomodação” dos mesmos. Vivíamos um momento de euforia até o início da crise imobiliária dos Estados Unidos. Bolsas em altas expressivas, dólar em queda livre e fortalecimento das economias emergentes. Juntando a queda nos preços das commodities com a fragilidade do sistema financeiro norte-americano, tivemos uma crise de proporções globais, o que não se via desde a derrocada dos Tigres Asiáticos em 1997 (que precedeu as crises no México, na Rússia e no Brasil).

Agora, como o epicentro do terremoto financeiro estava no país mais poderoso do planeta, teve-se a sensação que a economia mundial poderia cair como um castelo de cartas. Mas isto não deve acontecer primeiro pela ajuda dos bancos centrais dos países ricos, segundo pelo reaquecimento da economia chinesa, que vai fazer o mundo se movimentar com rapidez a partir de novembro.

Novembro também é o mês da eleição nos Estados Unidos, e uma provável (neste momento) vitória do democrata Barack Obama pode representar uma guinada na política econômica daquele país. Com isso, a preocupação (real) das últimas semanas passa a ser uma possibilidade de nova euforia do mercado.

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