Muitos políticos ficaram ainda mais fortalecidos com o resultado das eleições de domingo, embora outros tenham sido remetidos para a vala comum do desterro. No Paraná, a situação ficou bosquejada da seguinte maneira: desponta uma nova liderança política na pessoa do prefeito reeleito por esmagadora maioria em Curitiba, Beto Richa (PSDB), enquanto a estrela decadente do governador Roberto Requião (PMDB) viu extinguir-se por inteiro a escassa luz que ainda irradiava.

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Além de nada ter conseguido fazer de positivo para ajudar o candidato peemedebista a prefeito de Curitiba, o ex-reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e médico Carlos Augusto Moreira Júnior, a obter uma votação menos desmoralizante, nos últimos programas do horário eleitoral, quando todos sabiam que a derrocada era uma questão de horas, qual uma carpideira desconsolada o governador clamou pela necessidade do estabelecimento do equilíbrio de forças na composição da Câmara Municipal, pedindo votos para seu valete Doático Santos. O PMDB conseguiu eleger apenas dois vereadores na capital, mas os esparsos eleitores do partido esnobaram o candidato bancado por Requião.

Depois de proclamado o resultado matemático das urnas eletrônicas, o prefeito Beto Richa foi comemorar a vitória com os correligionários na Praça Nossa Senhora de Salete, defronte ao Palácio Iguaçu, ensejando a alguns críticos a oblíqua observação de que a festança poderia ser interpretada como uma espécie de provocação ao grande perdedor de domingo. Ao contrário, como poucas vezes aconteceu, o imenso espaço do Centro Cívico cumpriu sua vocação arquitetônica de palco apropriado para as grandes manifestações populares.

A esplêndida vitória de Beto Richa, com exatos 778.514 votos (77,27% dos votos válidos), além de sobrepujar em 284.074 votos o total de sufrágios recebidos em 2004, concede ao prefeito uma força política consolidada no Paraná e, em especial, o transforma no peso definidor dos rumos da eleição para o governo estadual em 2010. Numa das primeiras declarações após a reeleição estar confirmada, Richa lembrou que havia subordinado a candidatura a um segundo mandato na prefeitura à vontade dos eleitores: “Se a população me quisesse eu aceitaria a convocação”. Diante da vitória de domingo, referindo-se ao futuro, com a desenvoltura de quem conhece o ofício e com um maduro domínio da arte de fazer política, o prefeito não se fez de rogado: “Agora, o mandato é de quatro anos e pertence aos que me elegeram”.

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Dizendo de outra forma, Beto não teria motivos para deixar de saltar à garupa do matungo bem-encilhado, se a maioria dos eleitores da capital reforçada por animadores fluxos oriundos do interior, reivindicasse sua candidatura ao governo do Estado. O PSDB de Beto Richa, que recebeu apoio irrestrito do PDT do senador Osmar Dias, e do PPS de Rubens Bueno, teria diante de si o não pequeno desafio de preservar uma aliança que deu certo, muito embora alguns líderes tucanos, com a passagem do tempo, sejam passíveis duma recaída e vejam na estrutura partidária confiabilidade suficiente para arquivar o acordo informal que reserva ao senador pedetista a prerrogativa de nova candidatura ao governo.

Essa costura depende da habilidade para o entendimento a ser demonstrada por Beto Richa, Osmar Dias e Rubens Bueno, líderes altamente prestigiados pelos eleitores e, que daqui em diante assumem a responsabilidade de não jogar pela janela o legado de integrar o novo núcleo de definições políticas regionais. Por outro lado, o PMDB mais uma vez viu minguar o cacife em municípios importantes como Cascavel, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Maringá, Paranaguá, Toledo, Umuarama e União da Vitória, entre outros, colégios eleitorais de reconhecida influência no planejamento de quaisquer candidatos que almejem governar o Paraná. Em Londrina e Ponta Grossa a eleição do prefeito ficou para o segundo turno, mas em ambos o PMDB foi também descartado.

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Resta ao governador, como alternativa recomendável, o rigoroso voto de silêncio.