A matéria de capa da edição do domingo passado de O Estado tinha a seguinte manchete: “Rotas de alto risco”. Trata dos problemas que as estradas no entorno de Curitiba têm, e que não são solucionados há muito tempo. Mas o assunto poderia ser adaptado para qualquer região do Paraná, pois a situação beira a catástrofe.

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Para se ter ideia do que acontece, registremos a matéria da repórter Joyce Carvalho: “Um contraste permanente: do bom ao ruim em menos de um metro. Assim são muitos trechos das estradas que cortam a Região Metropolitana de Curitiba. Essas rodovias recebem tanto o tráfego pesado quanto o de automóveis e motocicletas de pessoas que se deslocam para o trabalho e para casa. Um dia-a-dia em que é preciso, além de prestar atenção no trânsito, olhar muito bem por onde está andando. Há buracos de todos os tamanhos, remendos abertos, desníveis, pisos irregulares, pavimento em péssimas condições”.

Isto, é bom repetir, apenas no entorno de Curitiba. A matéria não traz apenas impressões, traz dados que justificam a tremenda preocupação dos usuários: falta de reparos na BR-476, nada de previsão de duplicação na BR-116 até Mandirituba, a constatação (por números) que a região metropolitana concentra os acidentes em rodovias no Paraná. Exemplo? Em menos de três anos, foram 443 acidentes apenas na estrada que liga Curitiba a Piraquara, a PR-415.

E o que foi feito nos últimos anos? Absolutamente nada. De um lado, as concessionárias das rodovias federais não apresentaram propostas efetivas para melhorar as condições de tráfego. De outro, o governo estadual não se mexe para melhorar seus trechos. Sem contar que as famosas “estradas da liberdade”, prometidas na eleição passada, ainda não apareceram de verdade.

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Pena que, em vez de mostrarem serviço, os responsáveis pelas estradas que cortam Curitiba e a região metropolitana vão reclamar. Reclamar da cobertura da imprensa, que apenas mostra o descaso que se tem com as rodovias, e com as pessoas que passam por elas. Como se a culpa fosse de quem vê o problema, e não de quem deveria cuidar dele.