Estiagem dolorosa

Os dados reportados por Hélio Miguel na edição de ontem de O Estado são alarmantes: “A seca que vem atingindo o Paraná desde novembro do ano passado pode provocar, na agricultura, um prejuízo de R$ 4,3 bilhões. Os cálculos são da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), que encaminhou, ontem (anteontem), um relatório ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a outras autoridades. O documento cita dados da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab), que apontam uma redução de 19% na produção de grãos na safra deste ano, caindo para 26,21 milhões de toneladas, ante 32,21 milhões de toneladas no ano passado”.

É só um lado desta incrível e triste estiagem – que não assola somente o Paraná, mas grande parte da região Sul do Brasil. Claro que a agricultura é a grande prejudicada, pois o ciclo natural está sendo alterado, e a produção de grãos é diretamente afetada pela falta constante de chuvas – e com o clima, além de seco, bastante quente.

Tempo quente e seco significa falta de água. As cenas exibidas em fotos de jornais e pelas emissoras de TV nos últimos dias resumiram de forma dramática a seca, que simplesmente mudou a paisagem das Cataratas do Iguaçu. O espetáculo da natureza em forma bruta está temporariamente desaparecido, ou pelo menos diminuído, pois se não chove na nascente do Rio Iguaçu, a crise vai – literalmente -desembocar na Tríplice Fronteira.

E assim fica exposto outro problema. Quem irá ao oeste para ver as cachoeiras que não contam neste momento com sua força máxima? É possível uma retração momentânea do turismo para Foz do Iguaçu, o que também prejudica a economia do Paraná. Como a cidade fronteiriça é, para muitos turistas, a “porta de entrada” do Estado, formar-se-ia (numa incrível coincidência) um efeito cascata.

Sem falarmos na falta de energia elétrica, um risco que corremos a cada período longo de seca. O Operador Nacional do Sistema (ONS) já está trabalhando para que as usinas termelétricas produzam mais energia nos próximos meses, para que as barragens das hidrelétricas ganhem volume. Pelo menos, enquanto a chuva não vem.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google